Esperança de reviver tratado climático de Kyoto é reduzida

quinta-feira, 22 de novembro de 2012 16:21 BRST
 

Por Alister Doyle

OSLO, 22 Nov (Reuters) - Há 15 anos, o medo da mudança climática produzida pelo homem foi o suficiente para convencer a maior parte do mundo industrializado a fazer parte de um tratado que continha falhas, mas ao menos pareceu consolidar o princípio de que os gases de efeito estufa precisam ser cortados.

Agora, no entanto, com os níveis desses gases muito mais elevados e a mudança climática mais evidente com os climas extremos, a desaceleração econômica e os desentendimentos sobre quem deve pagar a conta praticamente mataram qualquer chance de uma ampliação significativa do Protocolo de Kyoto, que está expirando.

Quase 200 países vão se reunir em Doha, no Catar, entre 26 de novembro e 7 de dezembro para ao menos tentar. Mas Rússia, Japão e Canadá, grandes economias que assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997, já disseram que não vão se comprometer com cortes nas emissões para depois de 31 de dezembro.

As economias em desenvolvimento da Índia e da China, atualmente a maior emissora mundial de gases como dióxido de carbono a partir de combustíveis fósseis que retêm o calor do sol, não foram obrigadas a cortar as emissões sob o processo de Kyoto.

Os ativistas, porém, afirmam que a não prorrogação do Protocolo de Kyoto também dará a Doha um desafio muito maior: trabalhar em um tratado totalmente novo para limitar as emissões de todos os países, incluindo aqueles em desenvolvimento, a ser aprovado até 2015 e entrar em vigor em 2020.

Enquanto isso, a mudança climática provocada pelo homem está mais visível do que nunca.

O gelo do Mar Ártico reduziu em setembro a seu menor nível registrado, e ondas de extremo calor e secas atingem Estados Unidos e Rússia com mais frequência do que seria esperado pelos registros históricos, informou um relatório do Banco Mundial na semana passada.

Os níveis de gases-estufa atingiram um novo recorde no ano passado, apesar da crise econômica mundial.

Mesmo que todos os países cumpram os compromissos existentes, o mundo esquentará mais de 3 graus Celsius até 2100, mais do que os 2 graus que os países do mundo dizem ser o limite, superando o aumento de 0,8 grau registrado desde 1900.