27 de Novembro de 2012 / às 12:17 / 5 anos atrás

Amostras do corpo de Arafat são retiradas para investigação de envenenamento

Suha Arafat, viúva do líder palestino Yasser Arafat, assiste à cerimônia após a exumação de seu marido na cidade de Ramallah, em seu apartamento em Sliema. 27/11/2012 REUTERS/Darrin Zammit Lupi

Por Jihan Abdalla

RAMALLAH, Cisjordânia, 27 Nov (Reuters) - Peritos forenses retiraram nesta terça-feira amostras dos restos mortais do líder palestino Yasser Arafat, na Cisjordânia, como parte da investigação a respeito das suspeitas de que ele teria sido envenenado com o elemento radiativo polônio, difícil de ser rastreado.

Arafat morreu há oito anos, mas as teorias conspiratórias a respeito disso nunca cessaram. Muitos estão convencidos de que seu líder foi vítima de assassinato por agentes israelenses e pode ter sido envenenado intencionalmente ou não por um palestino. E podem continuar convencidos disso qualquer que seja o resultado da autopsia.

O corpo de Arafat foi descoberto no túmulo e amostras foram retiradas sem mover o cadáver. A tumba foi fechada horas depois e coroas de flores foram colocadas por líderes palestinos, incluindo o primeiro-ministro, Salam Fayyad.

O chefe do comitê de investigação palestino, Tawfiq Tirawi, disse que o procedimento transcorreu sem problemas. Uma equipe médica palestina colheu as amostras e as entregou a cada uma das equipes suíça, francesa e russa.

“Precisamos de provas a fim de encontrar os que estão por trás deste assassinato e levá-los ao TPI (Tribunal Penal Internacional)”, disse ele. “Israel está ocupando a nossa terra, e assassinatos não são novidade, eles cometeram muitos, publicamente e secretamente. O que os impediria de assassinar Abu Ammar (Arafat)?”

Juízes franceses abriram em agosto uma investigação sobre a morte de Arafat, que ocorreu em um hospital de Paris. A decisão foi tomada porque um instituto suíço descobriu níveis elevados de polônio em roupas entregues pela viúva dele, Suha, por ocasião de um documentário de TV.

“O estado do corpo era exatamente o que você esperaria encontrar de alguém que foi enterrado há oito anos”, disse o ministro da Saúde, Hani Abdeen, em entrevista coletiva. “Não havia nada mais que o normal.”

Alguns moradores de Ramallah, onde Arafat está enterrado, deploraram a exumação.

“Isso é errado. Depois de todo esse tempo, hoje eles de repente querem encontrar a verdade? Deveriam ter feito isso há oito anos”, disse o pedreiro Ahmad Yousef, de 31 anos, que parou para ver a operação, realizada detrás de um plástico azul, nos arredores da presidência palestina.

RESULTADOS EM 2013

O médico jordaniano Abdullah al Bashir, diretor do comitê médico palestino, disse que cerca de 20 amostras foram colhidas e que as análises devem levar três meses.

“Para fazer essas análises, para verificar, conferir e fazer verificações cruzadas, vai demorar vários meses e eu não acho que nós vamos ter algo tangível disponível antes de março ou abril do próximo ano”, disse Darcy Christen, porta-voz do Hospital da Universidade de Lausanne, na Suíça, que realizou os testes iniciais nas roupas de Arafat.

Arafat, que foi primeiro um inimigo de Israel, e depois um parceiro na negociação da paz, morreu aos 75 anos, em 2004, após uma curta e misteriosa doença. A pedido de Suha, não foi feita autópsia, embora os médicos franceses dissessem que não sabiam identificar a causa da morte.

Acusações de assassinato imediatamente surgiram, e muitos palestinos apontaram o dedo para Israel, que confinou Arafat à sede da presidência em Ramallah durante seus últimos dois anos e meio de vida, depois do início de uma rebelião palestina.

Israel nega tê-lo assassinado. O líder israelense na época, Ariel Sharon, agora permanece em um coma do qual não deve nunca despertar. Israel convidou a liderança palestina a divulgar todo o histórico médico de Arafat, que nunca foi revelado publicamente após a sua morte e ainda não foi aberto.

O polônio, aparentemente ingerido na comida, foi apontado como causa da morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko, ocorrida em 2006 em Londres. Mas alguns especialistas questionaram se Arafat poderia ter morrido dessa forma, pois lembram que o líder palestino teve uma breve recuperação no decorrer da doença, o que seria incompatível com uma contaminação radiativa. Eles também observaram que Arafat não perdeu todo o cabelo.

O prazo de oito anos é considerado o limite para que traços de polônio sejam detectados, por causa do rápido decaimento radiativo desse elemento. Em agosto, o hospital de Lausanne questionou se valeria a pena recolher amostras se a exumação ficasse para “outubro ou novembro”.

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