Rebeldes do Congo definem condições para retirada de Goma

terça-feira, 27 de novembro de 2012 13:48 BRST
 

Por Richard Lough e Jonny Hogg

GOMA, República Democrática do Congo, 27 Nov (Reuters) - Os rebeldes na República Democrática do Congo disseram nesta terça-feira que iriam se retirar da cidade oriental de Goma somente se o presidente Joseph Kabila concordasse com suas demandas, o que o governo congolês foi rápido em descartar.

O impasse aumenta o risco de que a insurgência de oito meses de duração possa se transformar em uma guerra em uma região marcada por quase duas décadas de conflito, que matou mais de 5 milhões de pessoas, movidas pela competição por recursos minerais.

Os rebeldes do M23, que especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) acreditam serem apoiados por Ruanda e que afirmam que querem "libertar" todos do Congo, capturaram Goma na semana passada depois que soldados congoleses se retiraram e forças de paz da ONU desistiram de defender a cidade.

O exército de Uganda, que vem coordenando as negociações com o M23, disse nesta terça-feira que o líder do movimento, coronel Sultani Makenga, concordou em se retirar de Goma sem estabelecer condições.

Mas o chefe político do M23, Jean-Marie Runiga, disse a repórteres em Goma que suas forças iriam se retirar somente se Kabila mantivesse conversações nacionais, libertasse presos políticos e dissolvesse a comissão eleitoral, um órgão acusado por potências ocidentais de entregar a Kabila um segundo mandato em eleições problemáticas em 2011.

"A retirada, sim. Se Kabila concordar com as nossas exigências, então vamos sair rapidamente", disse Runiga a jornalistas em um hotel em Goma, ladeado por altos funcionários do M23 em roupas civis e rebeldes em uniformes militares.

Runiga disse que o governo de Kabila estava estragado pela corrupção, lamentou as estradas dilapidadas do país e disse que as únicas escolas e hospitais do Congo haviam sido deixadas pelos governantes coloniais belgas anteriores. Ele afirmou que qualquer negociação terá de solucionar tais questões.

"Queremos o envolvimento da oposição política, da sociedade civil e da diáspora, para que possamos resolver estas questões em conjunto, de modo que as pessoas ouçam a verdade e, de uma vez por todas, nós encontremos uma solução para os problemas que envenenaram nossa sociedade e política", declarou ele.   Continuação...

 
Líder do movimento M23 Jean-Marie Runiga (C) fala com a imprensa em Goma, na República Democrática do Congo. 27/11/2012 REUTERS/James Akena