Embaixadora dos EUA se reúne com senadores, mas não consegue reverter críticas

terça-feira, 27 de novembro de 2012 21:26 BRST
 

Por Tabassum Zakaria

WASHINGTON, 27 Nov (Reuters) - A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, fracassou na terça-feira em uma tentativa de aproximação com senadores republicanos que ameaçam barrar sua nomeação caso o presidente Barack Obama a indique para o comando do Departamento de Estado ou de algum outro cargo ministerial.

Rice passou cerca de uma hora reunida a portas fechadas no Congresso com os senadores John McCain, Lindsey Graham e Kelly Ayotte. Eles a criticaram abertamente por causa dos seus primeiros comentários depois do atentado de 11 de setembro deste ano contra a legação dos EUA em Benghazi, quando ela sugeriu que se tratava de uma reação espontânea durante um protesto contra um filme anti-islâmico, e não de um ataque premeditado.

O embaixador dos EUA na Líbia e três outros norte-americanos foram mortos no ataque ao consulado e a um anexo da CIA. Funcionários de inteligência posteriormente concluíram que militantes da Al Qaeda estiveram ligados ao incidente.

"Estamos significativamente perturbados por muitas das respostas que recebemos, e por algumas das que não recebemos, a respeito dos indícios que estavam esmagadoramente levando ao ataque contra o nosso consulado", disse McCain a jornalistas depois da reunião.

"Está claro que a informação que ela deu ao povo norte-americano estava incorreta quando ela disse que foi uma demonstração espontânea desencadeada por um vídeo odioso", afirmou.

"Não era, e havia convincentes indícios na ocasião de que esse certamente não era o caso, incluindo declarações de líbios e também de outros norte-americanos que estão planamente cientes de que as pessoas não trazem morteiros e granadas de propulsão para manifestações espontâneas", acrescentou McCain.

Os republicanos argumentam que o governo Obama tentou minimizar o ângulo terrorista do incidente para não atrapalhar a campanha de Obama à reeleição.

Rice foi à reunião acompanhada pelo diretor interino da CIA, Michael Morell, e não foi vista por jornalistas. Posteriormente, ela divulgou nota dizendo que "explicamos que os argumentos oferecidos pela comunidade de inteligência, e a avaliação inicial sobre a qual eles se baseavam, estavam incorretos em um aspecto-chave: não houve protesto nem manifestação em Benghazi".

"Embora certamente desejássemos ter informações perfeitas dias depois do ataque terrorista, como costuma ser o caso, a avaliação de inteligência evoluiu. Salientamos que nem eu nem ninguém no governo pretendemos enganar o povo norte-americano em qualquer etapa desse processo."

Obama já saiu em defesa de Rice, dizendo que, se os senadores têm algum problema com o comportamento do governo após o incidente em Benghazi, deveriam "vir atrás de mim", em vez de tentar "manchar a reputação dela".