Bolívia pretende ingressar no Mercosul sem renunciar à Comunidade Andina

terça-feira, 27 de novembro de 2012 22:14 BRST
 

LA PAZ, 27 Nov (Reuters) - A Bolívia pretende entrar para o Mercosul sem renunciar à Comunidade Andina de Nações (CAN), da qual faz parte desde sua fundação há mais de quatro décadas, disse nesta terça-feira a autoridade responsável pela negociação de convênios comerciais.

A incorporação da Bolívia ao Mercosul era quase que certa em La Paz, desde que o presidente boliviano, Evo Morales, disse na semana passada que aceitava um convite oficial para que seu país se convertesse em membro pleno do grupo, ao qual está ligado atualmente como associado.

Mas após um entusiasmo inicial surgiram advertências de empresários e analistas sobre os prejuízos que a economia boliviana poderia sofrer no caso de uma ruptura com a CAN, integrada também por Colômbia, Equador e Peru e à qual envia quase todas as suas exportações agrícolas.

"O convite para pertencer ao Mercosul ... não é um convite para nos retirarmos da CAN, é um convite para pertencer aos dois. É preciso entender isso, porque esses são os termos sob os quais fomos convidados", disse em entrevista coletiva o vice-ministro de Comércio Exterior, Pablo Guzmán.

Ele lidera a equipe da chancelaria boliviana que desde a semana passada negocia rapidamente os acordos de ingresso da Bolívia ao Mercosul, que serão revisados e eventualmente assinados durante uma cúpula do grupo prevista para 6 e 7 de dezembro no Brasil.

O vice-ministro sinalizou que a Bolívia já tem alguns benefícios como país associado ao Mercosul que espera "manter e melhorar" quando se converter em membro pleno.

Ao aceitar o convite do Mercosul, Morales garantiu que "o mercado da Comunidade Andina não se perderá", sugerindo que poderá imitar o seu colega venezuelano, Hugo Chávez, que levou seu país ao Mercosul mantendo privilégios comerciais com a CAN, à qual renunciou previamente.

A Venezuela se tornou neste ano o quinto membro pleno do Mercosul, grupo integrado desde a sua formação por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O Chile é um país associado.

O Mercosul sancionou o Paraguai, excluindo o país dos fóruns políticos até que eleições gerais previstas para abril de 2013, após a destituição de Fernando Lugo como presidente no fim de junho, sejam realizadas.

(Reportagem de Carlos A. Quiroga)