Egípcios protestam pelo 6o dia contra decreto do presidente

quarta-feira, 28 de novembro de 2012 13:54 BRST
 

Por Edmund Blair

CAIRO, 28 Nov (Reuters) - Centenas de manifestantes ocuparam a Praça Tahrir no Cairo pelo sexto dia consecutivo nesta quarta-feira, exigindo que o presidente Mohamed Mursi revogue um decreto que eles alegam dar ao presidente poderes ditatoriais, enquanto dois dos tribunais superiores do Egito pararam de trabalhar em protesto.

Passados cinco meses do início do mandato do líder islâmico, e em cenas que lembram a revolta popular que destituiu o antecessor Hosni Mubarak no ano passado, a polícia disparou gás lacrimogêneo em manifestantes que arremessavam pedras após protestos de dezenas de milhares de pessoas na terça-feira contra a declaração que expandiu os poderes de Mursi e colocou suas decisões acima de uma contestação legal.

Os manifestantes dizem que vão permanecer na praça até que o decreto seja retirado, trazendo novos tumultos a uma nação no coração da Primavera Árabe e oferecendo um novo golpe para uma economia já em dificuldades.

Os Tribunais de Cassação e Recursos do Egito disseram que iriam suspender os seus trabalhos até que o Tribunal Constitucional aja sobre o decreto, que danificou ainda mais a relação já complicada de Mursi com os juízes do país.

Em um discurso na sexta-feira, Mursi elogiou o Judiciário como um todo, mas se referiu a elementos corruptos que visa eliminar.

Um porta-voz da Suprema Corte Constitucional, que anulou o parlamento liderado por islâmicos no início deste ano, disse nesta quarta-feira que o tribunal se sentiu atacado pelo presidente.

"A coisa realmente triste que chateou os membros deste tribunal foi quando o presidente da República se juntou, em uma surpresa dolorosa, à campanha de ataque contínuo sobre o Tribunal Constitucional", disse o porta-voz Maher Samy.

Altos magistrados vêm negociando com Mursi sobre como restringir seus novos poderes, enquanto manifestantes querem que ele dissolva uma assembleia dominada por islâmicos que está elaborando uma nova constituição e que Mursi protegeu de uma revisão legal.   Continuação...