Russo que denunciou crime organizado é achado morto na Grã-Bretanha

quarta-feira, 28 de novembro de 2012 17:08 BRST
 

Por Natalie Huet e Maria Golovnina

LONDRES, 28 Nov (Reuters) - Um empresário russo que ajudava promotores suíços a desbaratar uma poderosa quadrilha de fraudadores morreu em circunstâncias misteriosas perto da sua mansão na Grã-Bretanha, numa horripilante guinada num caso que abalou as relações de Moscou com o Ocidente.

Alexander Perepilichny, de 44 anos, buscou refúgio na Grã-Bretanha há três anos e vinha ajudando na investigação suíça sobre um esquema russo de lavagem de dinheiro, apresentando provas contra autoridades corruptas.

Ele também havia apresentado provas contra pessoas vinculadas à morte do advogado Sergei Magnitsky, especializado em casos de combate à corrupção. Esse crime, em 2009, causou indignação internacional e levou os Estados Unidos a aprovarem uma lei que pune pessoas envolvidas com abusos na Rússia.

Perepilichny, cidadão russo, desmaiou e morreu perto da sua casa, num condomínio sofisticado e fortemente vigiado no condado de Surrey, ao sul de Londres, em 10 de novembro. Ele é agora a quarta pessoa ligada ao Magnitsky a morrer em circunstâncias estranhas.

"Está sendo tratado como não-explicado", disse uma porta-voz policial. "Um exame póstumo foi realizado, o qual foi inconclusivo. Novos exames estão sendo realizados agora."

Pessoas do condomínio, considerado a "Beverly Hills britânica", e cercado por guaritas e bem cuidados campos de golfe, disseram à Reuters que o corpo de Perepilichny, com roupa de corrida, foi encontrado à noite, no topo de um morro.

Um tremido vídeo gravado pelo cozinheiro Liam Walsh, de 24 anos, com seu celular mostrou um corpo inerte, que ele disse ser de Perepilichny, estendido na calçada de uma rua deserta, iluminado por um único poste.

"Ele não estava respirando. Tivemos de colocá-lo de costas e começamos a fazer RCP (primeiros-socorros). Ele provavelmente já estava morto fazia um tempo", disse Walsh à Reuters no condomínio, enquanto carros sem identificação circulavam fazendo a vigilância do impecável complexo.

(Reportagem adicional de Martin de Sá Pinto, na Suíça)