Assembleia egípcia tenta concluir Constituição
Por Tamim Elyan e Yasmine Saleh
CAIRO, 28 Nov (Reuters) - A assembleia constituinte egípcia deve concluir a primeira versão da nova Constituição nesta quarta-feira, o que dá esperanças à Irmandade Muçulmana para resolver a crise causada pelo decreto que concedeu poderes extraordinários ao presidente Mohamed Mursi.
Adversários da medida, que a consideram ditatorial, mantiveram seus protestos pelo sexto dia na praça Tahrir, no Cairo, e disseram que a pressa em concluir o processo constituinte pode piorar as coisas.
Duas pessoas morreram e centenas ficaram feridas em vários lugares do Egito por causa de confrontos em decorrência do decreto de Mursi.
A Irmandade, grupo político ao qual Mursi pertence, espera substituir o decreto por uma Constituição inteiramente nova, a ser aprovada em referendo popular, disse à Reuters uma fonte da agremiação.
Trata-se de uma aposta baseada na crença dos políticos islâmicos de que conseguirão mobilizar votos suficientes para aprovar o referendo. Políticos da Irmandade venceram todas as eleições realizadas no Egito desde a rebelião popular que depôs o regime de Hosni Mubarak.
Mas a conclusão da nova Carta deve acirrar divisões que já estão sendo expostas nas ruas. A Irmandade e seus aliados islâmicos convocaram manifestações para o sábado na praça Tahrir, o que poderá causar confrontos com adversários do presidente, que na terça-feira realizaram um grande protesto ali.
A oposição não-islâmica boicota a assembleia constituinte, formada por 100 membros, por considerar que os políticos islâmicos estão tentando impor sua visão para o futuro do Egito.
A legitimidade jurídica da assembleia já foi questionada em numerosos processos que solicitam sua dissolução. Sua legitimidade popular foi abalada pela retirada de liberais e cristãos. Continuação...

