29 de Novembro de 2012 / às 12:47 / 5 anos atrás

Colegas feridas de menina paquistanesa atingida pelo Taliban voltam à escola

Karinat Riaz lê livro após retorno à escola em Mingora, no vale de Swat, no Paquistão.29/11/2012Hazrat Ali Bacha

PESHAWAR, Paquistão, 29 Nov (Reuters) - Duas meninas paquistanesas feridas por tiros de um esquadrão de ataque do Taliban que tentava matar sua colega, Malala Yousufzai, voltaram para a escola na quinta-feira sob forte esquema de segurança.

Um homem armado atacou Malala, que era defensora da educação para meninas, apesar das ameaças do Taliban, em 9 de outubro, quando ela estava saindo da escola no vale de Swat, no Paquistão. Ela foi ferida na cabeça e duas de suas amigas da escola também ficaram feridas.

O tiroteio provocou indignação generalizada. Malala, que está se recuperando em um hospital britânico, atraiu admiração internacional por sua campanha.

Na quinta-feira, a polícia acompanhou suas colegas adolescentes, Kainat Riaz e Shazia Ramazan, de volta para a escola.

"Estou muito animada para voltar aos meus estudos, mais uma vez na escola, mas com certeza vou sentir falta da Malala", disse Kainat, que foi baleada no braço, à Reuters.

As duas meninas terão escoltas de segurança por tempo indeterminado, segundo a polícia.

O ataque a Malala, 15 anos, ocorreu depois de anos de campanha que tinha colocado a menina contra um dos comandantes mais brutais do Taliban do Paquistão, conhecido como Maulana Fazlullah.

Fazlullah e seus homens tomaram o Vale de Swat e explodiram escolas para meninas e executaram publicamente aqueles que consideravam imoral ou que tentavam enfrentá-los. Em um determinado momento, o Exército lançou uma ofensiva para expulsar os militantes.

Embora Fazlullah e seus homens terem fugido para as montanhas, Swat continua sob tensão e parece inconcebível que Malala, que se tornou um símbolo da resistência aos esforços do Taliban para negar educação para as mulheres, poderá voltar para casa e para a escola.

Seu pai disse no final de outubro que ela iria "levantar-se de novo" e perseguir seus sonhos depois do tratamento médico.

Dezenas de milhares de britânicos pediram ao governo para nomear Malala para o Prêmio Nobel da Paz por seu ativismo.

O Paquistão tem 5 milhões de crianças fora da escola, um número superado apenas pela Nigéria, informou a ONU em um relatório publicado esta semana. Dois terços dessas crianças são meninas.

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