Cameron se diz contra regulação da imprensa após escândalo

quinta-feira, 29 de novembro de 2012 18:56 BRST
 

Por Michael Holden e Kate Holton

LONDRES, 29 Nov (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse nesta quinta-feira que tem sérias preocupações sobre a legislação para regular a mídia, arriscando uma divisão na sua coalizão após um inquérito condenatório desencadeado por um escândalo de rastreamento de telefone propor uma agência regulatória apoiada pela lei.

Mostrar-se contrário a uma base legal para um regulador de imprensa independente irá agradar os meios de comunicação britânicos antes da eleição de 2015, mas vai aprofundar uma divisão no governo de coalizão de Cameron e dentro de seu próprio partido.

"Nós devemos ser cautelosos com qualquer legislação que tem o potencial de violar a liberdade de expressão e a imprensa livre", disse Cameron ao Parlamento, assistido da galeria da câmara por vítimas do rastreamento de telefone por um tablóide, que fizeram campanha para regras mais duras para a mídia da Grã-Bretanha.

"Eu não estou convencido de que, nesta fase, o estatuto é necessário para alcançar os objetivos do juiz Leveson", afirmou Cameron, referindo-se ao juiz que passou um ano investigando a imprensa. "Eu tenho algumas sérias preocupações e receios sobre esta recomendação."

O líder do opositor Partido Trabalhista, Ed Miliband, disse que apoiava uma proposta de Leveson para dar suporte a um novo regulador da imprensa independente com a legislação.

Leveson disse que não tinha intenção de acabar com três séculos de liberdade de imprensa, mas condenou o comportamento algumas vezes "ultrajante" da imprensa que tinha "acabado com a vida de pessoas inocentes".

O inquérito de Leveson foi ordenado por Cameron após a indignação pública com as revelações de que os repórteres em um dos tablóides do empresário Rupert Murdoch rastrearam as mensagens de telefone de uma vítima de assassinato de 13 anos de idade, Milly Dowler.

Leveson disse que deveria haver um novo órgão independente de auto-regulação, que seria reconhecido em lei, algo que a imprensa e muitos dentro do próprio partido de Cameron, incluindo ministros, são firmemente contrários.   Continuação...