ENTREVISTA-Hamas vê possibilidade de reconciliação com Fatah após vitória na ONU

sexta-feira, 30 de novembro de 2012 10:43 BRST
 

Por Samia Nakhoul

DOHA, Catar 30 Nov (Reuters) - O líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse que o reconhecimento implícito do Estado palestino obtido por seu rival Mahmoud Abbas na Organização das Nações Unidas (ONU) deve ser visto, junto com o recente conflito na Faixa de Gaza, como uma só ousada estratégia para o empoderamento de todos os palestinos.

Meshaal disse que a curta guerra de Israel contra militantes de Gaza, que matou 162 palestinos e cinco israelenses, foi encerrada com base em termos estabelecidos pelo grupo islâmico Hamas, que governa Gaza, e que isso acabou com seu isolamento, criando um novo ambiente que pode levar à reconciliação dessa facção com a rival Fatah, do presidente Abbas, que controla a Cisjordânia.

Em entrevista à Reuters em Doha, ele disse que Israel vive um clima de desânimo, em contraste com a alegria dos palestinos em Gaza e na Cisjordânia. "Pela primeira vez um cessar-fogo foi obtido sobre condições estabelecidas pelo Hamas, e na presença dos norte-americanos", insistiu.

Meshaal manifestou forte apoio à iniciativa diplomática de Abbas, que obteve na quinta-feira expressiva maioria na Assembleia Geral da ONU para elevar o status palestino no organismo internacional. A Autoridade Palestina, antes uma "entidade observadora", agora passou ao status de "Estado não-membro".

Israel e Estados Unidos criticaram duramente a iniciativa, dizendo que qualquer reconhecimento do Estado palestino só poderia ocorrer após negociações bilaterais envolvendo a Autoridade Palestina e os israelenses.

Embora tenha poucas consequências práticas, a votação da ONU poderá contribuir para "unificar os esforços nacionais palestinos", segundo Meshaal.

"Eu disse a Abou Mazen (pseudônimo de Abbas) que queremos que essa medida seja parte de uma estratégia nacional palestina (que inclua) a resistência (armada) que se sobressaiu em Gaza e deu um exemplo da capacidade do povo palestino para resistir e confrontar resolutamente o ocupante", disse Meshaal, confiante.

O cessar-fogo em Gaza foi obtido em grande parte graças à mediação do vizinho Egito, agora sob um governo ligado ao grupo Irmandade Muçulmana, aliado do Hamas. Meshaal sugeriu que a ascensão islâmica no Cairo e "a derrota do inimigo em Gaza" criam um novo ambiente propício à formação de um governo palestino de unidade nacional.   Continuação...

 
Líder do Hamas, Khaled Meshaal, durante entrevista à Reuters, em Doha. 29/11/2012 REUTERS/Ahmed Jadallah