Vaticano saúda votação da ONU sobre Estado palestino; pede garantias para Jerusalém

sexta-feira, 30 de novembro de 2012 14:14 BRST
 

Por Philip Pullella

CIDADE DO VATICANO, 30 Nov (Reuters) - O Vaticano saudou o reconhecimento implícito de um Estado palestino pela Organização das Nações Unidas na quinta-feira e pediu o estatuto especial internacionalmente garantido para Jerusalém, algo que deve irritar Israel.

A Assembleia Geral da ONU com 193 nações aprovou por esmagadora maioria uma resolução para elevar o status da Autoridade Palestina de "entidade" observadora nas Nações Unidas para "Estado não-membro", o mesmo status que o Vaticano.

"A Santa Sé acolhe com alegria a decisão favorável da Assembleia Geral em que a Palestina tornou-se um Estado Observador não-membro das Nações Unidas", disse um comunicado.

Mas também disse que era uma "ocasião propícia" para recordar uma "posição comum" sobre Jerusalém expressa pelo Vaticano e pela Organização pela Libertação da Palestina, quando as duas partes assinaram um acordo básico sobre suas relações bilaterais em 2000.

A declaração de quinta-feira pediu por um de "estatuto especial internacionalmente garantido" para Jerusalém, que visa a "salvaguardar a liberdade de religião e de consciência, a identidade e o caráter sagrado de Jerusalém como uma cidade santa, (e) o respeito e a liberdade de acesso a seus lugares santos".

A reafirmação da posição do Vaticano sobre Jerusalém, que se manteve na maior parte dormente por anos, deve irritar Israel, que diz que não há necessidade de um estatuto internacional para Jerusalém, porque estas garantias já existem.

Israel declarou Jerusalém sua "unificada e eterna" capital em 1980, após a anexação de Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias, em 1967. As potências mundiais não reconhecem a anexação.

Os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado.

A declaração de quinta-feira pediu para que ambos os lados busquem um "compromisso eficaz para a consolidação da paz e da estabilidade, na justiça e no respeito às legítimas aspirações, tanto dos israelenses e dos palestinos."

(Reportagem de Philip Pullella)