Kuweit elege novo Parlamento; participação popular tem baixa recorde
CIDADE DO KUWEIT, 2 Dez (Reuters) - Os kuweitianos elegeram um novo Parlamento, que deve ser mais cooperativo com o governo do que o antecessor, depois de um boicote da oposição nas urnas e protestos que dividiram o Estado situado no Golfo Pérsico.
A eleição foi a segunda deste ano no país rico em petróleo, onde uma série de assembleias caíram devido à longa batalha de poder entre o Parlamento eleito e o gabinete, que tem praticamente uma família no poder, com posse dos principais cargos do governo.
O comparecimento às urnas no sábado foi de 40,3 por cento, de acordo com números preliminares citados pelo Ministério da Informação, baixa recorde, incluindo a primeira eleição geral, realizada em 1963. A participação nos últimos três pleitos foi de cerca de 60 por cento.
A oposição se recusou a participar da disputa, dizendo que o novo sistema de votação introduzido pelo emir impedia que seus candidatos obtivessem a maioria que conseguiram na última votação, em fevereiro.
A agitação política impediu reformas econômicas e investimentos, incluindo um plano de desenvolvimento de 108 bilhões de dólares, que tem como objetivo diversificar a economia do país, muito dependente do petróleo, e atrair investimentos estrangeiros.
"Esse é um Parlamento pró-governo. Agora o governo pode fazer tudo o que quiser, o que ele alegou estar sendo impedido de fazer. A questão agora é: ele vai fazer?", disse o professor de Ciência Política da Universidade do Kuweit, Shafeeq Ghabra.
"Enquanto o governo tem um Parlamento que não se opõe a ele, há uma população que está do lado da oposição", completou, referindo-se ao baixo comparecimento às urnas e aos protestos. "A fórmula ficou mais complicada."
Mais da metade dos eleitos é novata no Parlamento, que tem 50 assentos. Candidatos xiitas ficaram com cerca de um terço dos assentos, informou a imprensa do país. No passado, os congressistas xiitas tendiam a ficar mais ao lado do governo no Parlamento. Três mulheres foram eleitas.
"O resultado da eleição é a fundação para um recomeço no desenvolvimento e na cooperação entre os poderes Legislativo e Executivo, para fazer o Kuweit e seu povo avançarem", afirmou o chefe da pasta do Ministério da Informação. Continuação...

