Egito pressiona com referendo para Constituição apesar de protestos

terça-feira, 4 de dezembro de 2012 13:11 BRST
 

Por Alistair Lyon e Yasmine Saleh

CAIRO, 4 Dez (Reuters) - A oposição do Egito convocou protestos em massa nesta terça-feira contra a tentativa do governo liderado por islâmicos de realizar um referendo rápido sobre uma nova Constituição depois de eliminar os obstáculos judiciais.

O presidente Mohamed Mursi provocou uma onda de protestos quando assumiu temporariamente poderes extraordinários em 22 de novembro para evitar que um Judiciário ainda dominado por membros indicados pelo antecessor deposto Hosni Mubarak tirassem dos trilhos uma transição política conturbada.

A polícia de choque se reuniu em torno do palácio presidencial depois que ativistas disseram que iriam marchar em direção a ele no final do dia em um "último aviso" para Mursi, um islamista eleito em uma votação popular apertada em junho.

Poucas centenas de manifestantes se reuniram perto de sua casa em um subúrbio a oeste do Cairo, gritando slogans contra o seu decreto e contra a Irmandade Muçulmana. A polícia fechou a estrada para impedi-los de chegar mais perto, informou um oficial de segurança.

Liberais, esquerdistas, cristãos e outros acusaram Mursi de encenar uma tomada de poder ditatorial para empurrar uma constituição redigida por uma assembléia lotada de islamistas.

Os jornais independentes mais lidos do Egito não foram publicados nesta terça-feira em protesto contra a "ditadura" de Mursi. Bancos planejavam fechar três horas mais cedo, informou um funcionário de banco.

Contudo, até agora tem havido apenas uma resposta limitada aos pedidos da oposição para uma campanha de desobediência civil no país mais populoso e centro cultural do mundo árabe.

"A Presidência acredita que a oposição é muito fraca e sem força. Hoje é o dia em que vamos lhes mostrar que a oposição é uma força a ser reconhecida", disse Abdelrahman Mansour na Praça Tahrir, do Cairo, o berço da revolta anti-Mubarak.   Continuação...