Islâmicos e esquerdistas se enfrentam em protestos na Tunísia

terça-feira, 4 de dezembro de 2012 20:03 BRST
 

Por Tarek Amara

TÚNIS, 4 Dez (Reuters) - A polícia tunisiana dissolveu nesta terça-feira confrontos na capital, quando ativistas islâmicos pró-governo atacaram sindicalistas que acusam de ter incitado protestos da oposição na semana passada.

Centenas de ativistas islâmicos munidos de facas e paus atacaram uma reunião de filiados da UGTT, maior central sindical local, e quebraram a pedradas vidros dos escritórios da entidade, segundo uma testemunha da Reuters. A polícia então interveio para separar os dois grupos. Cerca de dez pessoas ficaram feridas, segundo a testemunha.

"UGTT, vocês são ladrões, vocês querem destruir o país", gritavam os ativistas, que também levavam cartazes.

Centenas de sindicalistas, que apoiaram as jornadas de protesto da última semana contra a falta de empregos e desenvolvimento na localidade de Siliana, haviam saído às ruas próximas gritando convocações para uma greve geral e pela derrubada do governo comandado pelo partido islâmico Ennahda.

"O Ennahda vai acabar como Ben Ali. Eles não escolheram bem seu inimigo", disse um manifestante, referindo-se a Zine al-Abidine Ben Ali, o veterano autocrata derrubado em janeiro de 2011 na rebelião que deu início à Primavera Árabe.

Mais tarde, ativistas islâmicos e esquerdistas atiraram garrafas e pedras uns nos outros perto da sede do governo, onde cerca de 2.000 sindicalistas haviam se reunido num protesto contra o primeiro-ministro, Hamadi Jebali.

Esses foram os mais agressivos protestos na Tunísia desde que militantes conservadores salafistas atacaram a embaixada dos Estados Unidos em Túnis, em setembro, num protesto contra um filme anti-islâmico feito na Califórnia. Quatro pessoas morreram na ocasião.

Os confrontos desta terça-feira aparentemente não envolveram salafistas.   Continuação...

 
Manifestantes e policiais se enfrentam durante protestos na Tunísia. A polícia tunisiana dissolveu nesta terça-feira confrontos na capital, quando ativistas islâmicos pró-governo atacaram sindicalistas que acusam de ter incitado protestos da oposição na semana passada. 04/12/2012 REUTERS/Anis Mili