Promessas da UE não rompem impasse em diálogo sobre clima em Doha

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012 12:09 BRST
 

Por Daniel Fineren e Regan Doherty

DOHA, 6 Dez (Reuters) - As promessas da União Europeia de aumentar a ajuda a países em desenvolvimento para enfrentar as mudanças climáticas não conseguiram acabar com o impasse nas conversações da ONU em Doha, no Catar, nesta quinta-feira. Segundo grupos ambientalistas, as negociações estão à beira do fracasso.

O encontro de duas semanas, com término previsto para sexta-feira, está empacado em metas modestas, tais como a ajuda e a prorrogação até 2013 de um plano da ONU para combater mudanças climáticas. As conversações não chegaram a nenhum acordo que possa coibir a crescente emissão de gases do efeito estufa no mundo.

Uma das medidas foi a decisão de vários países da UE de anunciar dinheiro extra para ajudar as nações pobres a cortar suas emissões de gases do efeito estufa e se adaptarem a mais inundações, ondas de calor, secas e elevação do nível dos mares. Nas Filipinas, esta semana o tufão Botha matou mais de 330 pessoas.

"Na realidade nós estaremos dando mais dinheiro no ano que vem e em 2014 do que nos dois últimos anos", disse à Reuters a comissária europeia para o clima, Connie Hedegaard.

Os valores prometidos por Alemanha, Grã-Bretanha, França, Suécia, Holanda, Dinamarca e a Comissão Europeia totalizaram mais de 6,85 bilhões de euros (8,95 bilhões de dólares) para os próximos dois anos -- mais do que em 2011 e 2012, disse.

As nações em desenvolvimento elogiaram a iniciativa, mas exigiram um compromisso coletivo dos países, incluindo os Estados Unidos, Austrália e Japão, para dobrar a ajuda de 10 bilhões de dólares por ano no período 2010-2012 para 20 bilhões de dólares por ano em 2013-2015.

A questão financeira é um grande entrave no encontro, já que muitos países desenvolvidos estão relutantes em estabelecer novas metas de ajuda diante das dificuldades enfrentadas por suas economias.

Desde o começo os objetivos do encontro em Doha eram pouco ambiciosos, por isso um fracasso será menos impactante do que o da cúpula da ONU em 2009, quando líderes mundiais, incluindo o presidente dos EUA, Barack Obama, não conseguiram chegar a um novo acordo para combater as mudanças climáticas.   Continuação...