7 de Dezembro de 2012 / às 19:23 / 5 anos atrás

Partido de Berlusconi diz que não vai levar Itália ao caos

Por Paolo Biondi

ROMA, 7 Dez (Reuters) - O partido de centro-direita Povo da Liberdade, de Silvio Berlusconi, prometeu nesta sexta-feira não desencadear uma crise desordenada que possa alarmar os mercados financeiros no momento em que a Itália começava a ansiar por uma eleição nos primeiros meses do próximo ano.

O secretário do Povo da Liberdade (PDL), Angelino Alfano, disse ao Parlamento que a decisão do partido de retirar o apoio ao primeiro-ministro Mario Monti em duas moções de confiança na quinta-feira havia demonstrado sua desaprovação sem derrubar o governo.

“Ontem não demos um voto de desconfiança porque consideramos que a experiência do governo Monti chegou ao fim, mas não queremos empurrar as instituições e o país para o caos”, disse Alfano.

Pier Luigi Bersani, chefe do Partido Democrático, de centro-esquerda, que lidera as pesquisas de opinião, disse que a legenda iria continuar apoiando Monti.

Depois de várias semanas de relativa calma, que viu a confiança do mercado melhorar e os custos de empréstimos de Roma caírem de forma constante, os investidores mais uma vez foram confundidos pelos problemas políticos da Itália, embora a reação não tenha sido extrema.

O spread, ou a diferença entre os rendimentos dos títulos italianos de 10 anos e os contrapartes alemães, considerados menos arriscados, aumentou para 326 pontos-base na sexta-feira, embora ainda esteja distante do pico de 553 pontos no auge da crise no ano passado.

“A essa altura, eleições antecipadas praticamente não fariam diferença para os mercados financeiros”, escreveram analistas da Barclays Capital, acrescentando que o surgimento de um governo estável depois da eleição seria vital para tranquilizar os investidores.

Depois de mudar repetidamente de ideia nas últimas semanas, Berlusconi indicou na quarta-feira que poderia tentar um quinto mandato como primeiro-ministro e liderar seu partido dividido na eleição, que deve ser realizada até o início de março.

O PDL deve permitir que as medidas orçamentárias na chamada Lei da Estabilidade sejam aprovadas quando forem apresentadas ao Parlamento para aprovação final antes do Natal, garantindo que as metas de redução de déficit sejam mantidas e o orçamento, aprovado.

O ex-ministro do PDL Altero Matteoli disse que autoridades do partido agora discutiam uma possível data para a eleição em 10 de março, mas não houve confirmação oficial.

NENHUMA MUDANÇA NA LEI ELEITORAL

Alfano se reuniu com o presidente Giorgio Napolitano na sexta-feira para discutir a crise, mas não fez comentários sobre o teor das conversas.

A decisão de romper com o governo tecnocrata de Monti, que o PDL havia apoiado no Parlamento desde que foi nomeado no ano passado, foi interpretada como uma tentativa de Berlusconi de manter a união do partido frente a índices descendentes de aprovação.

Também põe fim à esperança de uma mudança da muito criticada lei eleitoral atual, e significa que a eleição do próximo ano poderá ser feita sob um sistema que os analistas dizem que permitiria ao PDL a retenção de força significante na Câmara.

Berlusconi deve liderar o partido na campanha eleitoral do próximo ano sob uma plataforma de ataque às políticas de austeridade de Monti, depois de acusar o ex-comissário europeu na quarta-feira de arrastar a Itália “para a beira do abismo”.

Napolitano, que é responsável por convocar uma eleição que não deve acontecer depois de abril, disse na quinta-feira que não pretendia deixar o mandato de Monti terminar em caos, e que iria garantir a estabilidade das instituições da Itália.

Em um sinal de que as tensões tinham se amenizado depois do drama no Parlamento na quinta-feira, Monti saiu de Roma em direção a Milão para assistir a uma ópera.

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