Novo confronto com a Rússia é teste para Obama e Putin

sábado, 8 de dezembro de 2012 17:44 BRST
 

Por Steve Gutterman

MOSCOU, 8 Dez (Reuters) - A aprovação no Senado norte-americano de uma lei que pune russos que violam direitos humanos é o primeiro grande teste para a determinação de Vladimir Putin e Barack Obama em melhorar as relações desde as vitórias de ambos nas eleições presidenciais.

Obama, que lançou um "recomeço" nas relações com a Rússia há menos de quatro anos, deve sancionar a lei, mesmo que Moscou a veja como "agressivamente descortês". Os danos nas relações entre as nações serão inevitáveis.

Mas há sinais de que Putin, que ganhou a presidência apesar de grandes protestos pelos últimos 13 anos de domínio de seu partido, possa querer deixar para trás o problema após uma campanha em que ele instigou o sentimento antiamericano.

"Não creio que isso levará a uma séria crise nas relações Rússia-EUA", disse Dmitry Trenin, diretor do Centro Cernegie, em Moscou.

"(Putin) não pretende piorar as relações, e por essa razão os efeitos da lei serão limitados".

O Senado dos EUA aprovou o "Ato Magnitsky" como parte de um amplo projeto para derrubar uma restrição da época da Guerra Fria e garantir à Rússia "relações comerciais normais permanentes", uma medida que, em outras circunstâncias, seria celebrada em ambas as capitais.

Um mês depois da reeleição de Obama, esse projeto poderia ser "a cereja do bolo" de um período no qual ele assinou um histórico acordo de armas nucleares com Moscou e ajudou a conduzir a Rússia para a Organização Mundial do Comércio (OMC), após 18 anos de tentativas.

Porém, os russos estão furiosos com o trecho da lei que trata dos direitos humanos, uma mensagem de desprazer a Putin sobre o tratamento de russos que ousam desafiar as autoridades.

Os principais alvos são os envolvidos no abuso e morte de Sergei Magnitsky, um advogado que morreu na prisão em 2009. Segundo colegas, ele foi vítima de uma resposta dos mesmos investigadores que ele acusou de terem roubado 230 milhões de dólares do Estado.

Em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores cheio de animosidade, a Rússia chamou a votação no Senado de "uma performance no teatro do absurdo" e disse que o projeto provavelmente prejudicaria os planos de cooperação entre Moscou e Washington.