10 de Dezembro de 2012 / às 13:12 / em 5 anos

Hugo Chávez encara cirurgia em Cuba e promete voltar "logo"

Por Andrew Cawthorne e Diego Ore

Apoiadores do presidente venezuelano Hugo Chavez se reúnem para manifestar seu apoio e rezar por sua saúde na Praça Bolívar, em Caracas. Na placa se lê "Siga adiante, comandante!" Chávez embarcou na madrugada desta segunda-feira para Cuba, onde será operado de emergência após sofrer uma recaída do câncer, que ele reconheceu que pode encerrar seu governo de 14 anos. 09/12/2012 REUTERS/Jorge Silva

CARACAS, 10 Dez (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou a Cuba nesta segunda-feira para se submeter a uma cirurgia contra um câncer. Ele prometeu voltar rapidamente, apesar de ter admitido pela primeira vez que a doença poderá restringir a sua Presidência.

“Parto cheio de esperança. Somos guerreiros, cheios de luz e fé”, afirmou Chávez, antes de embarcar para Havana. “Espero voltar logo.”

Chávez ergueu o punho para o ar ao dar início ao mais novo capítulo de um governo tumultuado. Enquanto esteve no poder, houve um breve golpe contra ele, ondas de nacionalizações, greve no setor de petróleo e tensão aumentada com os Estados Unidos.

O líder socialista de 58 anos enfrenta sua quarta cirurgia desde meados de 2011 para uma terceira batalha contra um câncer na área pélvica. A notícia provocou uma alta nos títulos em dólar da Venezuela na segunda-feira, em razão da preferência de muitos investidores por um governo em Caracas mais simpático aos mercados.

Chávez surpreendeu a Venezuela no fim de semana ao anunciar que novas células malignas foram encontradas, apesar de ele ter se declarado completamente curado este ano.

Ele foi reeleito em outubro e deve começar seu novo mandato de seis anos em 10 de janeiro. A saída de Chávez do governo, seja antes ou depois dessa data, implicaria a convocação de uma votação em 30 dias.

Também marcaria o fim de uma era marcada por sua liderança extravagante da esquerda na América Latina e pelo seu papel de principal provocador de Washington na região.

Em um discurso à nação na noite de sábado, Chávez nomeou o vice-presidente e chanceler Nicolás Maduro para assumir o poder, caso ele fique incapacitado. Ele também exortou os simpatizantes a votarem em Maduro no caso de eleição.

“Confio completamente em meus soldados”, afirmou Chávez, durante o juramento do novo ministro da Defesa antes de sua saída. “A república e a revolução estão em boas mãos.”

A indicação de Maduro e o juramento do novo ministro da Defesa pareceram ser o modo de Chávez tentar deixar a casa em ordem. Os ministros mais uma vez tentavam tranquilizar os venezuelanos, apesar das especulações.

“Continuamos a trabalhar do mesmo jeito, seguindo as instruções do presidente que permanece o presidente da República”, disse à Reuters o ministro das Finanças da Venezuela, Jorge Giordani.

A saga da saúde, no entanto, ofuscou mais uma vez grandes questões nacionais, como as eleições estaduais no domingo, uma esperada desvalorização do bolívar e a proposta de anistia para os inimigos políticos de Chávez presos e no exílio.

CRÍTICAS DA OPOSIÇÃO

Os líderes da oposição afirmam que a Venezuela está entrando em águas potencialmente perigosas e que um presidente temporário deve ser nomeado durante a ausência de Chávez, como permitido pela Constituição.

De acordo com a Constituição, o presidente do Congresso, Diosdado Cabello -- considerado por muitos rival de Maduro, apesar das manifestações em contrário dos dois --, assumiria o poder temporariamente, caso Chávez se torne incapacitado antes de 10 de janeiro.

Maduro assumiria o cargo caso Chávez fique incapacitado após essa data.

Chávez pediu por união e “não à intriga” antes de partir.

Embora expresse simpatia por Chávez e lhe deseje melhoras na saúde, a oposição critica o sigilo ao redor dos detalhes médicos e sua preferência por Cuba no lugar dos médicos locais.

“Esconder informações para obter ganhos parciais, sem levar em conta o interesse da nação, não é um procedimento democrático, não traz bons resultados”, afirmou Ramón Guillermo Aveledo, líder da coalizão venezuelana Unidade Democrática.

Chávez partiu nas primeiras horas desta segunda e foi recebido em Cuba pelo presidente Raúl Castro.

“Avante à vitória sempre, avante à vida sempre! Viva a pátria!”, disse Chávez, emocionado, aos simpatizantes no aeroporto ao caminhar até o avião.

Os títulos globais venezuelanos, entre os mais negociados dos mercados emergentes, subiram na segunda-feira. Elas haviam recuado na sexta-feira, horas depois do retorno surpresa de Chávez de Cuba, onde estava recebendo tratamento médico.

IMPACTO NA REGIÃO

A saúde de Chávez também tem grandes implicações para a região. Vários vizinhos da América Latina e do Caribe - de Cuba e Nicarágua à Bolívia e ao Equador - passaram a depender de sua generosidade, fomentada pelo petróleo, para impulsionar suas frágeis economias.

Muitos analistas acreditam que, apesar da indicação de Maduro feita por Chávez, o “chavismo” desintegre sem ele, especialmente por causa do rumor de rivalidade entre os principais atores.

“Continuamos da opinião de que é muito possível que não haja chavismo sem Chávez”, disse o analista da Goldman Sachs Alberto Ramos, advertindo em um relatório sobre “uma transição política possivelmente ruidosa e não necessariamente curta na Venezuela”.

Entre os principais chavistas, Maduro, ex-motorista de ônibus e líder sindical de 50 anos, é considerado o mais popular, graças a seus modos afáveis e laços estreitos com Chávez.

Embora sua origem humilde agrade os simpatizantes de Chávez na classe trabalhadora, os seis anos de Maduro como chanceler também lhe deram bons contatos na China, na Rússia e em outros países influentes. Ele tem um estilo calmo, mas acredita firmemente nas políticas esquerdistas de Chávez e critica ferozmente os EUA.

Se uma nova eleição for necessária, poderá ser o melhor cenário para a oposição vencer desde que Chávez assumiu o poder em 1999. Muitos eleitores ignoram os fracassos do governo por causa da profunda conexão emocional que têm com o presidente.

O governador Henrique Capriles, de 40 anos, perdeu para Chávez em outubro, mas recebeu 44 por cento dos votos, um recorde de 6,5 milhões de votos para a oposição. Ele poderá concorrer de novo.

Reportagem adicional de Deisy Buitrago em Caracas, Walker Simon em Nova York, Sujata Rao em Londres, Nelson Acosta e Jack Kimball em Havana

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