Egípcios votam no exterior; Exército promove busca por "unidade"
Por Yasmine Saleh e Marwa Awad
CAIRO, 12 Dez (Reuters) - Egípcios no exterior começaram a votar nesta quarta-feira em um referendo sobre a nova Constituição, convocado às pressas pelo presidente Mohamed Mursi contra a vontade da oposição, que desejava retardar o processo.
A agência oficial de notícias do país informou que a votação já começou em diversas embaixadas egípcias no exterior, no mesmo dia em que o Exército convocou uma reunião entre facções políticas rivais, com a intenção de restaurar a unidade nacional.
O referendo constitucional no Egito propriamente dito será nos dias 15 e 22 de dezembro. A oposição laica defendia o adiamento da votação, por causa dos caóticos protestos no país desde que Mursi baixou, em novembro, um decreto que ampliava seus próprios poderes.
A Constituição foi redigida por uma assembleia dominada por políticos islâmicos, e a oposição teme que a nova Carta dê um caráter excessivamente religioso ao novo Egito que surgiu depois da rebelião de 2011 que derrubou o regime de Hosni Mubarak.
Mursi está ansioso por promulgar a nova Constituição, pois só depois disso será possível convocar uma eleição nacional - o que provavelmente acontecerá no começo de 2013.
Em resposta à crescente crise política que cerca o referendo, o principal comandante militar do Egito irá presidir uma discussão sobre a unidade nacional na tarde desta quarta no Cairo.
O chefe do Estado-Maior, Abdel Fattah al Sisi, que também é ministro da Defesa, disse que as negociações não terão caráter político. "Vamos nos sentar juntos como egípcios", disse ele.
Mursi e a Irmandade Muçulmana, importante grupo islâmico que apoia o presidente, devem comparecer. Continuação...

