Chávez enfrenta pós-operatório "complexo" e vice pede unidade

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 18:20 BRST
 

Por Eyanir Chinea e Mario Naranjo

CARACAS, 12 Dez (Reuters) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, enfrenta um pós-operatório "complexo" após se submeter a uma quarta cirurgia em 18 meses contra um câncer, disse nesta quarta-feira o vice-presidente do país, Nicolás Maduro, que pediu unidade nacional frente aos "dias difíceis" que estão por vir.

Em discurso à nação, Maduro, designado por Chávez como seu sucessor político, não deixou lugar para palavras otimistas e insistiu na delicada condição do líder venezuelano, que assume em 10 de janeiro um novo mandato de seis anos.

A cirurgia, realizada em Cuba, durou seis horas.

"(Que) nosso povo esteja serenamente preparado para enfrentar esses dias duros, complexos e difíceis que vamos viver", disse Maduro, visivelmente consternado e com a voz embargada em alguns momentos, enquanto pedia confiança e fé no pronto regresso do presidente.

O vice-presidente falou em rede nacional de rádio e televisão acompanhado pelo ministro do Petróleo, Rafael Ramírez, e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que chegaram de Havana durante a madrugada. Não foram dados detalhes sobre o estado de saúde de Chávez.

"Esse processo complexo, duro e difícil que estamos vivendo vamos continuar enfrentando com integridade, com a verdade, com o amor pela frente e na confiança de que com Deus vamos vencer e mais cedo do que tarde vamos ter nosso comandante-presidente aqui", acrescentou.

O próprio Chávez disse, antes de embarcar para Cuba, que o novo procedimento implicaria riscos e aventou a hipótese de uma sucessão antecipada, pedindo aos venezuelanos que votassem em Maduro se novas eleições fossem convocadas. No caso de incapacitação do presidente, novas eleições devem ser convocadas num prazo de 30 dias.

Chávez teve um câncer na região pélvica diagnosticado em meados de 2011. Apesar das cirurgias e das sessões de químio e radioterapia, ele foi reeleito em outubro para mais um mandato de seis anos, após três meses de exaustiva campanha eleitoral.

Em meio à mobilização com a saúde presidencial, tanto o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) quanto a oposição tentam voltar as atenções da opinião pública para as eleições regionais do próximo domingo.

Alguns especialistas preveem que a ausência de Chávez resultará na derrota de vários candidatos governistas nos governos estaduais, enquanto outros consideram que a solidariedade pela doença poderá causar um efeito contrário.

 
Um partidário do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, escreve mensagens em um cartaz gigante em seu apoio em Caracas, Venezuela. 12/12/2012 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins