Crise leva a mais ocupações de imóveis na Itália
Por Catherine Hornby
ROMA, 13 Dez (Reuters) - Quando Mariangela Schiena se mudou do sul da Itália para Roma, há 11 anos, queria apenas uma vida simples, um teto sobre sua cabeça e um lar onde pudesse começar uma família.
Mas ela e seu namorado, Henok Mulugeta, de 28 anos, perderam há seis meses seus empregos em lojas, devido à crise econômica no país, e então ela decidiu que só havia uma alternativa: se mudar para um imóvel ocupado ilegalmente.
"Tudo estava ficando mais caro, não só as contas, e não conseguíamos chegar ao fim do mês", disse Schiena, de 31 anos, tremendo de frio junto a um aquecedor portátil, num arquivo público abandonado, na periferia romana.
"Na primeira noite que dormi aqui, acordei de manhã e pensei: que legal! Não preciso mais pagar aluguel. Não preciso mais me preocupar em chegar ao fim do mês."
A solução radical desse casal reflete os crescentes problemas vividos por jovens, imigrantes e outras pessoas assoladas pela recessão do último ano na Itália -- um assunto crucial na campanha para a eleição nacional que deve acontecer em fevereiro.
O primeiro-ministro Mario Monti já elevou impostos e cortou gastos públicos para tentar reduzir a enorme dívida pública. Essas medidas agradaram aos investidores, mas aprofundaram a crise econômica na terceira maior economia da zona do euro, com grandes efeitos para as empresas e os consumidores.
O desemprego juvenil supera atualmente os 35 por cento, o triplo da taxa geral, e as empresas geralmente oferecem aos jovens apenas contratos temporários, com benefícios limitados, o que significa que eles precisam morar com os pais ou emigrar.
Por causa de tudo isso, gente como Schiena diz ter perdido a fé nos políticos. "Eu costumava votar, mas nos últimos dois anos estou me abstendo em protesto. Todos os nossos políticos são corruptos", disse ela. Continuação...

