13 de Dezembro de 2012 / às 13:57 / 5 anos atrás

Oposição egípcia alerta para violência em referendo

Por Giles Elgood

Manifestante anti-Mursi segura uma cruz e um Alcorão na Praça Tahrir Square, no Cairo. Um líder oposicionista alertou nesta quinta-feira para o risco de mais derramamento de sangue nas ruas, quando os egípcios votarem num referendo sobre uma nova Constituição defendida pelo presidente islamista Mohamed Mursi, em meio a uma crescente crise política no país. 12/12/2012 REUTERS/Khaled Abdullah

CAIRO, 13 Dez (Reuters) - Um líder oposicionista alertou nesta quinta-feira para o risco de mais derramamento de sangue nas ruas, quando os egípcios votarem num referendo sobre uma nova Constituição defendida pelo presidente islamista Mohamed Mursi, em meio a uma crescente crise política no país.

No referendo, no próximo sábado e no seguinte, os egípcios terão de endossar ou rejeitar a lei básica do país, que terá de entrar em vigor antes das eleições nacionais serem realizadas no próximo ano - a maioria espera que o pleito possa tirar a nação mais populosa do mundo árabe da instabilidade política em que se encontra.

Pelo menos sete pessoas morreram e centenas ficaram feridas na violência que eclodiu há três semanas, após Mursi ter concedido a si mesmo amplos poderes para encaminhar a Carta a um órgão encarregado de sua elaboração, dominado por islâmicos e boicotado pela oposição.

Ahmed Said, um dos líderes da oposicionista Frente de Salvação Nacional, disse que a imposição do referendo, num momento de elevada tensão nas ruas, pode provocar mais violência, já que eleitores rivais irão às urnas.

“Durante o referendo, acredito que haverá sangue e um monte de antagonismo, por isso não está certo realizar um referendo”, disse ele à Reuters. Said, que também preside o partido liberal Egípcios Livres, descreveu a votação como um risco demasiado e meio à prevalência de tanta “amargura”.

Apesar da pressão da oposição pelo voto no “não”, espera-se que a medida seja aprovada, dado o histórico de vitórias da Irmandade Muçulmana, grupo bem organizado, nas eleições desde a queda do presidente Hosni Mubarak há quase dois anos. Muitos egípcios, cansados de turbulência, podem simplesmente seguir a linha da Irmandade.

Mas os referendo que divide os egípcios pode abalar a capacidade de Mursi de forjar um consenso sobre políticas vitais para salvar a economia. Poderá também fragmentar uma oposição cuja atual unidade talvez não sobreviva a uma derrota decisiva nas urnas.

A votação é altamente controversa, tendo resultado em confrontos de defensores da Irmandade Muçulmana, no Cairo e outras cidades, com membros da oposição liberal secular.

O palácio presidencial, o foco das manifestações, está cercado por tanques e enormes barricadas de concreto.

DIREITOS DAS MINORIAS

A televisão estatal mostrou nesta quinta-feira as tropas recebendo ordens de proteger locais de votação e outros edifícios governamentais.

A oposição diz que a Constituição não reflete as aspirações de todos os 83 milhões de egípcios porque é muito islâmica e esmaga os direitos das minorias, incluindo os da comunidade cristã. Partidários de Mursi dizem que a Constituição é necessária para a continuidade da transição para a democracia.

Esta semana, a oposição organizou grandes manifestações nas ruas para convencer Mursi de adiar o referendo, mas não obteve sucesso. Como contraponto, os islamistas promoveram manifestações ainda maiores em apoio ao referendo.

A oposição agora está pedindo que seus partidários votem “não”, embora tenha ameaçado boicotar o processo se certas garantias de uma votação justa não fossem cumpridas. Mas se ficar longe do processo corre o risco de perda de credibilidade, dizem os especialistas políticos.

Para a oposição, qualquer margem de vitória pode ser crucial.

“Há uma chance real de que o resultado possa desmoralizar a oposição. Se a Constituição for capaz de obter 70 por cento (de apoio) ou mais, pode ser difícil recuperar isso e Mursi vai se sentir vingado”, disse Shadi Hamid, do Brookings Doha Center.

Reportagem adicional de Edmund Blair, Yasmine Saleh e Marwa Awad

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