Islâmicos fazem passeata em apoio a Mursi antes de referendo no Egito

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012 14:40 BRST
 

Por Yasmine Saleh e Giles Elgood

CAIRO, 14 Dez (Reuters) - Apoiadores e opositores do presidente islâmico, Mohamed Mursi, travaram confrontos na cidade egípcia de Alexandria na sexta-feira, antes da realização do referendo sobre a nova Constituição que dividiu a nação mais populosa do mundo árabe.

Dezenas de ativistas brigaram com tacos e espadas, afirmaram testemunhas, e vários carros foram incendiados nas ruas da segunda maior cidade do Egito, na véspera da votação que Mursi espera que acabe com a cada vez pior crise política do país.

Os embates começaram perto de uma mesquita em Alexandria, onde membros da oposição que estavam distribuindo panfletos confrontaram apoiadores de Mursi.

No Cairo, seguidores de Mohamed Mursi agitando bandeiras realizaram seu último comício antes do decisivo referendo.

A capital Cairo e outras cidades têm visto com frequência manifestações violentas nas últimas três semanas, desde que Mursi assumiu amplos novos poderes para apressar a Constituição, que é vista como elemento vital para a transição do Egito para a democracia, depois de ter deposto o seu antecessor ditatorial Hosni Mubarak, no ano passado.

Pelo menos oito pessoas morreram e centenas ficaram feridas em confrontos no Cairo e em outras cidades em consequência do decreto presidencial pelo qual Mursi se concedeu amplos poderes provisórios, sob o argumento de acelerar a transição do país para a democracia.

Um influente político da oposição alertou que a violência pode prosseguir nos dois próximos sábados, quando os egípcios vão às urnas aprovar ou rejeitar uma Constituição escrita por uma assembleia dominada por políticos islâmicos.

A oposição laica e liberal diz que o projeto levado a votação não reflete as aspirações dos 83 milhões de egípcios, e restringe os direitos de minorias, inclusive os cristãos, que compõem 10 por cento da população.   Continuação...

 
Muçulmanos fazem passeata a favor do presidente egípcio Mohamed Mursi antes de votação sobre nova Constituição do país no sábado. 14/12/2012 REUTERS/Amr Abdallah Dalsh