Papa pede novo modelo econômico e mercados mais éticos
Por Philip Pullella
CIDADE DO VATICANO, 14 Dez (Reuters) - O papa Bento 16 pediu nesta sexta-feira um novo modelo econômico e normas éticas para os mercados, dizendo que a crise financeira global é a prova de que o capitalismo não protege os mais fracos da sociedade.
Em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, que a Igreja Católica celebra em 1o de janeiro, Bento 16 alertou ainda que a insegurança alimentar é uma ameaça para a paz em algumas partes do mundo.
Ele também reafirmou fortemente a oposição da Igreja Católica ao casamento gay, dizendo que o casamento heterossexual tem um papel indispensável na sociedade.
A mensagem anual, que tradicionalmente se concentra em como promover a paz e como reduzir as ameaças à paz, é enviado aos chefes de governo e de Estado, e instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e organizações não-governamentais.
O papa disse que os modelos econômicos que buscam o máximo de lucro e consumo e estimulam a competição a todo custo não conseguiram cuidar das necessidades básicas de muita gente e podem semear a inquietação social.
"É alarmante ver focos de tensão e de conflito causados por situações crescentes de desigualdade entre ricos e pobres, pela prevalência de uma mentalidade egoísta e individualista, que também encontra expressão em um capitalismo financeiro desregulado", afirmou.
O papa disse que pessoas, grupos e instituições são necessários para fomentar a criatividade humana, para extrair lições da crise e criar um novo modelo econômico.
A mensagem ecoava passagens da encíclica Caritas in Veritate (Caridade na Verdade), de 2009, na qual ele pediu uma autoridade política mundial para gerenciar a economia global e para maior regulação governamental das economias nacionais. Continuação...

