Partido japonês LDP volta ao poder, busca maioria com aliado

domingo, 16 de dezembro de 2012 16:04 BRST
 

Por Leila Kihara e Linda Sieg

TOQUIO (Reuters) - O conservador Partido Liberal Democrata (LDP), do Japão, voltou ao poder na eleição deste domingo, apenas três anos depois de uma derrota devastadora. A vitória deu ao ex-primeiro-ministro Shinzo Abe uma chance de promover sua política de segurança linha-dura e receita econômica radical.

Uma vitória do LDP vai levar a um governo comprometido com uma postura dura em uma disputa territorial com a China, uma política energética pró-nuclear, apesar do acidente em Fukushima, no ano passado, e um posicionamento potencialmente arriscado em relação uma política monetária relaxada e com grandes gastos fiscais para vencer a deflação e controlar um iene forte.

Uma projeção da TV Asahi, baseada nos votos contados deu ao LDP pelo menos 291 dos 480 assentos da Câmara dos Deputados, e junto com seu pequeno aliado, o partido New Komeito, uma maioria de dois terços necessários no Senado, onde nenhum partido tem a maioria. Isso ajudará a romper um impasse político que tem atormentado a terceira maior economia do mundo, desde 2007.

"Nós prometemos tirar o Japão da deflação e corrigir um iene forte", disse Abe ao vivo, na TV. "Precisamos fazer isso. O mesmo vale para a segurança nacional e para a diplomacia."

O Parlamento deve eleger Abe como primeiro-ministro em 26 de dezembro. Analistas disseram que embora os mercados já houvessem empurrado o iene para baixo e elevado os preços das ações na expectativa de uma vitória do LDP, as ações poderiam subir e o iene enfraquecer mais ainda numa reação à "super maioria".

Embora as autoridades do LDP e do New Komeito tenham confirmado que vão formar uma coalizão, o secretário-geral do LDP, Shigeru Ishiba, não descartou a possibilidade de cooperação com o Partido de Restauração Japonesa, um novo partido de direita que deve ficar com 52 assentos.

"Acho que há espaço para fazer isso na área de defesa nacional", disse ele. O New Komeito é mais moderado do que o LDP em questões de segurança. As projeções mostravam o Partido Democrata do Japão (DPJ), do primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, com, pelo menos, 56 assentos, menos do que um quinto do que conseguiu em 2009. Noda disse que estava deixando o cargo de líder do partido, após a derrota, em que vários pesos pesados do partido perderam seus assentos.

Os democratas chegaram ao poder em 2009, prometendo dar mais atenção aos consumidores e acabar com o "triângulo de ferro" da poderosa burocracia, que empresas e políticos formaram ao longo de mais de meio século de domínio quase ininterrupto do LDP.   Continuação...