19 de Dezembro de 2012 / às 11:07 / 5 anos atrás

Inquérito critica Departamento de Estado dos EUA por atentado na Líbia

Ataque a consulado norte-americano na Líbia matou o embaixador dos Estados Unidos em setembro. 11/09/2012 REUTERS/Esam Al-Fetori

Por Arshad Mohammed e Anna Yukhananov e Tabassum Zakaria

WASHINGTON, 19 Dez (Reuters) - A segurança na missão diplomática dos EUA em Benghazi, na Líbia, era totalmente inadequada para lidar com o atentado que matou um embaixador dos EUA e três outros norte-americanos, em setembro, e a culpa disso foi do Departamento de Estado, segundo um inquérito oficial divulgado na terça-feira.

A investigação aponta deficiências de “liderança e gestão” em dois departamentos da chancelaria norte-americana, má coordenação entre funcionários e uma “real confusão” em Washington e no local sobre quem tinha a responsabilidade e a autoridade para tomar decisões que envolviam preocupações políticas e de segurança.

A dura avaliação do relatório deve marcar negativamente a passagem de Hillary Clinton pelo cargo do Departamento de Estado, que ela assumiu em 2009 e deve deixar em breve. Em carta que acompanha o inquérito, Hillary disse que vai adotar todas as recomendações.

A Comissão de Revisão de Responsabilidades, um órgão oficial, criticou especificamente o Departamento de Assuntos do Oriente Próximo, divisão regional do Departamento de Estado responsável pelo Oriente Médio e Norte da África, e o Departamento de Segurança Diplomática, encarregado de questões de segurança e policiamento.

Os cinco membros da comissão concluíram que os serviços de inteligência dos EUA não deram nenhum “alerta tático específico” sobre o ataque, e que havia “pouca compreensão sobre as milícias de Benghazi e a ameaça que elas constituíam para os interesses dos EUA” nessa cidade do nordeste da Líbia, onde o governo central tem pouca presença.

O incidente de 11 de setembro foi inicialmente visto como parte de uma onda de protesto em países islâmicos contra um filme feito nos EUA que ironizava o profeta Maomé. Posteriormente, autoridades norte-americanas admitiram que provavelmente se tratou de um ataque planejado por militantes islâmicos.

O tema foi bastante explorado pela oposição republicana durante a recente campanha eleitoral norte-americana, em que o democrata Barack Obama foi reeleito presidente.

O relatório considerou “equivocado” o fato de o consulado depender da segurança de uma milícia líbia “armada, mas mal qualificada”, e de guardas desarmados da empresa local Blue Mountain Libya.

Não havia seguranças da Blue Mountain no exterior do complexo imediatamente antes do ataque, que pudessem alertar para os problemas, como era da sua responsabilidade. O relatório aventa a hipótese de esses guardas terem deixado “o portão de pedestres abertos depois de inicialmente buscarem os agressores e fugirem da vizinhança”.

“Eles já haviam deixado o portão destrancado antes”, acrescenta o texto.

A comissão concluiu também que provavelmente os milicianos líbios armados deixaram de alertar os norte-americanos ou convocar reforços. Nas semanas que antecederam ao ataque, já havia dúvidas sobre a confiabilidade desse grupo.

Reportagem adicional de Paul Eckert e Andrew Quinn

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