Inquérito critica Departamento de Estado dos EUA por atentado na Líbia
Por Arshad Mohammed e Anna Yukhananov e Tabassum Zakaria
WASHINGTON, 19 Dez (Reuters) - A segurança na missão diplomática dos EUA em Benghazi, na Líbia, era totalmente inadequada para lidar com o atentado que matou um embaixador dos EUA e três outros norte-americanos, em setembro, e a culpa disso foi do Departamento de Estado, segundo um inquérito oficial divulgado na terça-feira.
A investigação aponta deficiências de "liderança e gestão" em dois departamentos da chancelaria norte-americana, má coordenação entre funcionários e uma "real confusão" em Washington e no local sobre quem tinha a responsabilidade e a autoridade para tomar decisões que envolviam preocupações políticas e de segurança.
A dura avaliação do relatório deve marcar negativamente a passagem de Hillary Clinton pelo cargo do Departamento de Estado, que ela assumiu em 2009 e deve deixar em breve. Em carta que acompanha o inquérito, Hillary disse que vai adotar todas as recomendações.
A Comissão de Revisão de Responsabilidades, um órgão oficial, criticou especificamente o Departamento de Assuntos do Oriente Próximo, divisão regional do Departamento de Estado responsável pelo Oriente Médio e Norte da África, e o Departamento de Segurança Diplomática, encarregado de questões de segurança e policiamento.
Os cinco membros da comissão concluíram que os serviços de inteligência dos EUA não deram nenhum "alerta tático específico" sobre o ataque, e que havia "pouca compreensão sobre as milícias de Benghazi e a ameaça que elas constituíam para os interesses dos EUA" nessa cidade do nordeste da Líbia, onde o governo central tem pouca presença.
O incidente de 11 de setembro foi inicialmente visto como parte de uma onda de protesto em países islâmicos contra um filme feito nos EUA que ironizava o profeta Maomé. Posteriormente, autoridades norte-americanas admitiram que provavelmente se tratou de um ataque planejado por militantes islâmicos.
O tema foi bastante explorado pela oposição republicana durante a recente campanha eleitoral norte-americana, em que o democrata Barack Obama foi reeleito presidente.
O relatório considerou "equivocado" o fato de o consulado depender da segurança de uma milícia líbia "armada, mas mal qualificada", e de guardas desarmados da empresa local Blue Mountain Libya. Continuação...

