20 de Dezembro de 2012 / às 16:44 / 5 anos atrás

Farc criticam presidente colombiano por ação militar em meio a negociações de paz

HAVANA, 20 Dez (Reuters) - A guerrilha colombiana Farc criticou na quinta-feira o presidente Juan Manuel Santos por manter ações ofensivas contra a insurgência, em uma atitude considerada contrária à boa sintonia das negociações de paz que estão em curso para colocar um fim no sangrento conflito armado.

O governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) iniciaram em Havana, em meados de novembro, um processo de paz, o primeiro em mais de uma década, com o qual buscam uma solução negociada para o confronto que já deixou milhares de mortos e incalculáveis perdas econômicas à nação nas últimas cinco décadas.

"Em contraste com nossa atitude de humanidade, o presidente Santos anuncia que intensificará a guerra em todo o território nacional; uma insensatez que não está em sintonia com o clamor majoritário da nação", afirmou o negociador-chefe das Farc, Iván Márquez.

Em meados de novembro, as Farc anunciaram seu primeiro cessar-fogo unilateral em uma década, com um prazo até 20 de janeiro de 2013, em uma surpreendente decisão que eles argumentaram estar dirigida para facilitar as negociações de paz com o governo.

Santos, no entanto, manteve-se firme em continuar com as operações militares contra os rebeldes até que seja firmado um acordo final, enquanto colocou em questão a trégua unilateral da guerrilha.

"Cumprimos, hoje, um mês de cessar-fogo unilateral das ações defensivas contra a força pública e a infraestrutura econômica", ressaltou Márquez.

"As Farc silenciaram seus fuzis e conseguiram cercar de tranquilidade as negociações de paz. Oferecemos de todo o coração aos colombianos este Natal em paz", enfatizou.

Além do tema agrário ser o primeiro ponto da agenda de paz, o diálogo -sob o princípio de que "nada está acordado até que tudo esteja acordado"-, inclui garantias para o exercício da oposição política, fim do conflito armado, solução do narcotráfico e indenização às vítimas do confronto.

Reportagem de Nelson Acosta

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