Legisladores russos apoiam proibição à adoção de crianças por norte-americanos

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012 14:50 BRST
 

Por Alissa de Carbonnel

MOSCOU, 21 Dez (Reuters) - A Câmara Baixa do Parlamento da Rússia aprovou nesta sexta-feira uma lei que proíbe os norte-americanos de adotar crianças russas, em retaliação à legislação de direitos humanos dos EUA que o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou estar envenenando as relações.

A Duma apoiou com maioria esmagadora um projeto de lei que também proíbe "organizações sem fins lucrativos que se dedicam à atividade política" financiada pelos EUA, estendendo o que os críticos dizem ser uma repressão aos opositores de Putin desde que ele voltou à presidência em maio.

A lei responde à legislação dos EUA conhecida como Lei Magnitsky, aprovada pelo Congresso dos EUA, para impor proibições de vistos e congelamento de bens aos funcionários russos acusados de envolvimento na morte do advogado anticorrupção Sergei Magnitsky em 2009.

O embaixador de Washington para Moscou, Michael McFaul, disse que a lei russa injustamente "liga o destino de crianças órfãs a questões políticas não relacionadas".

Putin indicou em uma entrevista coletiva na quinta-feira que ele iria assinar a lei assim que o Senado a votasse na próxima semana, descrevendo-a como uma resposta emocional, mas adequada a um movimento hostil pelos Estados Unidos.

"É um mito que todas as crianças que vão para famílias norte-americanas estão felizes e cercadas de amor", disse Olga Batalina, deputada do partido Rússia Unida, de Putin, defendendo as novas medidas.

A legislação russa ficou conhecida como Lei Dima Yakovlev, em homenagem à criança nascida na Rússia que morreu depois que seu pai adotivo norte-americano a deixou trancada em um carro.

A lei tem indignado os liberais russos, que dizem que as crianças estão sendo vítimas da política. Alguns funcionários do governo, incluindo o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, expressaram reservas sobre a legislação.   Continuação...