Lobby das armas defende guardas armados em escolas dos EUA

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012 17:28 BRST
 

Por Patricia Zengerle, Dan Burns e Edith Honan

WASHINGTON/NEWTOWN, Estados Unidos, 21 Dez (Reuters) - O poderoso lobby das armas nos Estados Unidos partiu para a ofensiva na sexta-feira, argumentando que as escolas deveriam ter guardas armados, no dia em que os norte-americanos lembraram as vítimas do massacre da escola de Newtown, Connecticut, com um minuto de silêncio.

"A única coisa que detém um bandido com uma arma é um cara bom com uma arma", afirmou Wayne LaPierre, diretor-executivo da Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), observando que bancos e aeroportos são patrulhados com guardas armados, enquanto as escolas normalmente não o são.

A fala dele - durante a qual acusou a mídia e os videogames violentos de dividirem a culpa pelo segundo ataque em escola mais violento da história dos EUA - foi interrompida duas vezes por manifestantes que levaram faixas e gritavam "parem a matança".

Falando em Washington, LaPierre pediu que os parlamentares coloquem policiais armados em todas as escolas quando os estudantes voltarem às aulas depois do feriado do Natal, em janeiro. LaPierre não respondeu às questões dos jornalistas.

Mais cedo na sexta-feira, os sinos das igrejas soaram em Newtown e em toda Costa Leste às 9h30 (12h30 no horário de Brasília) em memória às vítimas do ataque de 14 de dezembro no qual 28 pessoas, incluindo o atirador, morreram.

Os comentários de LaPierre foram feitos ao final de uma semana em que o presidente Barack Obama encomendou uma nova força-tarefa da Casa Branca para encontrar uma forma de conter a violência, um desafio em uma nação com uma cultura forte de porte de armas individuais.

"Temos de ter uma forma abrangente para responder ao assassinato em massa de nossas crianças que observamos em Connecticut", disse na quinta-feira o vice-presidente Joe Biden, que lidera a força-tarefa.

A Constituição norte-americana garante o direito de portar armas e centenas de milhões de armas estão em mãos particulares. Cerca de 11,1 mil norte-americanos morreram em casos envolvendo armas de fogo em 2011, sem incluir suicídios, de acordo com dados preliminares do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA.   Continuação...