ONU aprova novo debate sobre tratado internacional de armas

terça-feira, 25 de dezembro de 2012 13:15 BRST
 

Por Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS, 25 Dez (Reuters) - A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou por reiniciar as negociações sobre um projeto de tratado internacional para regular o comércio global de armas convencionais, que movimenta 70 bilhões de dólares.

Esse é um projeto ao qual a poderosa Associação Nacional do Rifle (NRA), dos Estados Unidos, tem se empenhado arduamente em fazer lobby contrário.

Delegados da ONU e ativistas pelo controle de armas reclamaram que as negociações entraram em colapso em julho em parte porque o presidente Barack Obama temia ataques do rival republicano Mitt Romney antes da eleição de 6 de novembro se seu governo fosse visto como simpatizante do tratado, uma acusação que as autoridades norte-americanas negaram.

O NRA, que vem sofrendo intensas críticas por sua reação ao massacre de 15 de dezembro de 20 crianças e seis educadores em uma escola primária de Newtown, em Connecticut, se opõe à ideia de um tratado de comércio de armas e vem pressionando Obama para rejeitá-lo.

Mas depois da reeleição de Obama no mês passado, seu governo se uniu a outros membros de um comitê da ONU no apoio à retomada de negociações sobre o tratado.

Essa medida foi estabelecida na última segunda-feira, quando a Assembleia Geral da ONU, com 193 países, votou a favor de uma rodada final de negociações entre 18 e 28 de março em Nova York.

Os ministros das Relações Exteriores de Argentina, Austrália, Costa Rica, Finlândia, Japão, Quênia e Grã-Bretanha --os países que escreveram a resolução-- divulgaram um comunicado conjunto elogiando a decisão de retomar as negociações sobre o pacto.

"Esse foi um sinal claro de que uma vasta maioria de estados-membros da ONU apoiam um tratado eficaz, equilibrado e forte, que estabeleceria os padrões globais comuns mais altos possíveis para a transferência internacional de armas convencionais", disseram.

Houve 133 votos a favor, nenhum contra e 17 abstenções. Vários países não compareceram, segundo diplomatas da ONU por causa do feriado de Natal.