Afeganistão investiga morte de agente norte-americano em delegacia

terça-feira, 25 de dezembro de 2012 13:49 BRST
 

Por Hamid Shalizi

CABUL, 25 Dez (Reuters) - A policial afegã-iraniana que matou um oficial de treinamento dos Estados Unidos em uma delegacia de polícia de Cabul pode ter cometido o assassinato por motivo pessoal, disseram autoridades da área de segurança, que também investigavam um possível envolvimento do Taliban ou da Al Qaeda no crime.

As autoridades disseram que a mulher, identificada como Narges, parecia estar arrependida depois dos tiros. As fontes disseram que ela tinha um passaporte iraniano, mas não havia provas de que o Irã poderia ter orquestrado o ataque.

A mulher chegou à delegacia na manhã da segunda-feira e seguiu para o banheiro, onde carregou um revólver e o escondeu debaixo de seu longo véu, disseram. Ela, então, se aproximou do oficial de treinamento policial norte-americano quando ele seguia para a cantina, atirando na altura de suas costelas.

"Depois que ela disparou contra o norte-americano, ela apontou sua pistola para outros policiais que correram para prendê-la. Mas sua arma travou", disse um agente à Reuters. "Os alvos principais dela podem ter sido autoridades no complexo."

Aparentemente, essa é a primeira vez que integrantes do sexo feminino das forças de segurança do Afeganistão lançam tal ataque. Ao menos 52 membros da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês) foram mortos neste ano por afegãos usando uniformes do exército ou da polícia, nos chamados "ataques internos".

Os incidentes têm minado a confiança entre a coalizão e as forças afegãs, que estão sob pressão crescente para conter a insurgência do Taliban antes que as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) saiam do país até o final de 2014.

"Esse foi um ataque muito organizado", disse uma autoridade policial. "Deve ter havido forças maiores envolvidas... A essa altura, só podemos dizer que ela (Narges) pode ter sofrido uma lavagem cerebral tanto do Taliban quanto da Al Qaeda", completou.

(Reportagem adicional de Mirwais Harooni e Miriam Arghandiwal)