25 de Dezembro de 2012 / às 20:17 / em 5 anos

Egito aprova Constituição elaborada por aliados de Mursi

Por Yasmine Saleh e Marwa Awad

CAIRO, 25 Dez (Reuters) - O Egito anunciou nesta terça-feira que os eleitores aprovaram por ampla maioria uma Constituição elaborada pelos aliados islamitas do presidente Mohamed Mursi, enquanto o governo impõe restrições para lidar com uma crise econômica agravada por semanas de protestos.

Números finais do Supremo Comitê Eleitoral mostraram que a Constituição foi aprovada por 63,8 por cento dos votos, dando aos islamitas sua terceira vitória estratégica nas urnas desde a queda de Hosni Mubarak, em 2011.

Os oposicionistas liberais, secularistas e cristãos foram às ruas para impedir o que classificaram como uma medida para forçar a aprovação de uma Carta que misturaria perigosamente política e religião.

O presidente argumenta que a nova Constituição oferece proteção suficiente às minorias, e que adotá-la rapidamente é necessário para encerrar dois anos de revoltas e incertezas políticas que prejudicaram a economia.

Horas antes de o resultado ser anunciado, as autoridades impuseram uma nova proibição à entrada ou saída do país com mais de 10 mil dólares em moeda estrangeira, uma medida que aparentemente tem o objetivo de combater a saída de capitais do Egito.

Alguns egípcios já começaram a sacar dinheiro dos bancos, temendo maiores restrições.

A votação pelo “sim” prepara o terreno para a realização de eleições parlamentares em cerca de dois meses, e que serão uma nova batalha eleitoral entre os islamitas e os oponentes liberais e esquerdistas.

O resultado final, anunciado pelo Supremo Comitê Eleitoral, bateu até nos décimos com uma sondagem não oficial feita pela Irmandade Muçulmana, de Mursi.

A Constituição foi esboçada majoritariamente por aliados de Mursi. Os resultados decepcionaram a oposição, que está colocando pressão nas autoridades para que os votos sejam recontados.

“Investigamos arduamente todas as denúncias”, afirmou o juiz Samir Abu el-Matti, do Supremo Comitê Eleitoral. O comparecimento oficial foi de 32,9 por cento.

“Os resultados foram muito estranhos e a falta de discrepância nos pontos percentuais mostra que nada foi feito sobre as nossas reclamações”, disse Khaled Dawood, porta-voz da oposição.

PROTEÇÃO AO CAPITAL

O Banco Central do Egito disse na segunda-feira que tomaria medidas para “salvaguardar” os depósitos bancários. Há rumores sobre qual tipo de ação será levada adiante.

“Tenho ouvido que o Banco Central tomará todos os nossos depósitos para pagar o salário dos funcionários do governo, devido à atual deterioração da situação econômica”, disse Ayman Osama, pai de duas crianças.

Ele afirmou ter sacado o equivalente a cerca de 16 mil dólares nesta semana, e planeja retirar mais recursos de sua conta, além de ter aconselhado sua mulher a comprar joias.

“Não vou colocar mais nenhum dinheiro no banco, assim como muitas das pessoas que conheço”, acrescentou.

O referendo representa a terceira vitória dos islamitas desde a queda de Mubarak, após triunfos nas eleições parlamentares e presidenciais.

Opositores do governo dizem que a Constituição não garante liberdades pessoais e direitos para mulheres e minorias. O governo alega que as críticas são infundadas.

Reportagem adicional de Patrick Werr e Tamim Elyan

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