Presidente egípcio sanciona a nova Constituição

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 08:38 BRST
 

Por Tamim Elyan

CAIRO, 26 Dez (Reuters) - A nova Constituição do Egito, de linha islamista, passou a vigorar como lei básica do país, após a sanção do presidente Mohamed Mursi, que espera que a nova Carta ajude a pôr fim à turbulência política e permita ao governo concentrar-se em medidas para recuperar a fragilizada economia.

O medo do agravamento da crise econômica tomou conta do Egito nas últimas semanas, levando muitas pessoas a sacar às pressas suas poupanças dos bancos. O governo impôs novas restrições para conter a fuga de capital do país.

Os resultados da apuração da votação no referendo, divulgados na terça-feira, mostraram que 63,8 por cento dos egípicios --uma grande maioria-- aprovaram a Constituição. Como consequência, haverá uma eleição parlamentar em cerca de dois meses.

A vitória dá aos islamitas sua terceira conquista eleitoral seguida desde a derrubada do poder do veterano autocrata Hosni Mubarak, na revolução de 2011. Eles também foram os vencedores das eleições parlamentares e presidenciais, as quais levaram Mursi ao poder.

A Presidência informou que Mursi assinou na noite de terça-feira um decreto endossando a nova Carta, após o anúncio oficial do resultado do referendo que aprovou a lei básica, primeira Constituição do Egito desde a queda de Mubarak.

O texto provocou uma profunda divisão no Egito, a nação mais populosa do mundo árabe, e desencadeou com frequência protestos violentos nas ruas do Cairo.

Grupos de oposição criticam a nova Constituição, que consideram antidemocrática e excessivamente islamista, e dizem ainda que ela abre caminho para que clérigos intervenham no processo legislativo e deixa os grupos minoritários sem adequada proteção legal.

Mas Mursi, levado ao poder graças ao apoio de seus aliados islamistas, acredita que a adoção do texto seja peça fundamental para pôr fim a um um longo período de turbulência e de incertezas que tem destruído a economia.   Continuação...