26 de Dezembro de 2012 / às 15:42 / em 5 anos

Órfãos russos deficientes seriam principais vítimas de proibição à adoção pelos EUA

Por Nastassia Astrasheuskaya e Alissa de Carbonnel

MOSCOU, 26 Dez (Reuters) - Cartões de Natal da família e fotos de crianças sorridentes enviadas por seus pais adotivos norte-americanos preenchem o escritório de Galina Sigayeva na segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo.

Muitos deles eram doentes e precisavam desesperadamente de cuidados médicos antes de sua agência ajudar a organizar a sua adoção para famílias norte-americanas, lembra ela.

Ativistas dos direitos da criança dizem que crianças como estas serão as mais afetadas se o presidente russo, Vladimir Putin, assinar uma lei proibindo adoções pelos EUA que foi aprovada pelos legisladores russos. O ato é uma retaliação contra uma nova lei dos EUA que punirá russos acusados de violações dos direitos humanos.

Os críticos da lei argumentam que os orfanatos russos estão lamentavelmente superlotados e o destino de crianças vulneráveis não deve ser usado como moeda de troca em uma disputa bilateral.

“Essas crianças não são nem oferecidas aos estrangeiros até obterem um certo número de recusas (de adoção) por russos”, disse Sigayeva, que dirige a Agência de Serviços de Adoção New Hope Christian.

“São crianças com diagnósticos complicados, realmente complicados. São crianças muito doentes.”

Ela sorriu enquanto folheava fotos de crianças abraçadas por seus pais adotivos, brincando com animais de estimação da família e desfrutando de presentes e outros momentos de Natal.

“O que me surpreende é que aqui todas parecem tão saudáveis, tão fantásticas, mas você deveria ver como elas se parecem quando são levadas daqui”, contou Sigayeva.

“Algumas tiveram que ser transportadas para a fronteira. Tivemos uma menina com hepatite que ajudamos da sala de emergência.”

Ambos os lados no debate acalorado em torno do projeto de lei concordam que o sistema de orfanatos da Rússia está sobrecarregado, assolado pela corrupção e, principalmente, fracassa em colocar as crianças em famílias.

Mais de 650.000 crianças são consideradas órfãs na Rússia -- embora algumas tenham sido rejeitadas por seus pais ou tiradas de lares com problemas. Desse total, 110.000 viviam em instituições do Estado em 2011, de acordo com o Ministério da Ciência e Educação.

Por outro lado, nos Estados Unidos --que tem mais de duas vezes a população da Rússia-- cerca de 58.280 crianças viviam em lares e instituições no ano passado, de acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA.

Adoções por famílias russas continuam modestas, com cerca de 7.400 adoções em 2011 em comparação com 3.400 adoções de crianças russas por famílias no exterior.

Famílias norte-americanas adotam mais crianças russas --956 no ano passado-- que de qualquer outro país. Das crianças adotadas pelos norte-americanos em 2011, 9 por cento --ou 89-- eram deficientes, de acordo com números oficiais russos.

Os opositores da legislação --que incluem altos funcionários como o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov-- afirmam que a politicagem não deve privar os órfãos desta chance de uma vida melhor.

A proibição responde a uma lei dos EUA conhecida como a Lei Magnitsky que pune russos suspeitos de envolvimento na morte por encomenda do advogando anticorrupção Sergei Magnistky em 2009 e outras violações dos direitos humanos, ao impedi-los de entrar nos Estados Unidos.

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