Na Síria, "pai dos mártires" fala em vingança

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012 19:47 BRST
 

Por Yara Bayoumy

AZAZ, Síria, 26 Dez (Reuters) - Depois de perder três filhos e dois netos, Abdelhalim Haj Omar, de 70 anos, não tem dúvida sobre o destino que deseja para o presidente sírio, Bashar al-Assad.

"Espero que Bashar, que Deus queira, não morra até que eles massacrem toda a sua família na frente dele e que eles o tragam até aqui para que toda a Síria possa se vingar dele", disse Omar na cidade síria de Azaz, na fronteira com a Turquia.

"Ele destruiu o país e matou seu povo", acrescentou, falando de sua oficina de carpintaria, onde montes de madeira estão empilhados perto de batentes terminados.

Omar não está só em sua raiva. Cerca de 40.000 sírios morreram no conflito, que começou em março de 2011 como um levante majoritariamente pacífico e desde então se transformou em uma guerra civil brutal, contrapondo combatentes da maioria sunita às forças alauítas de Assad.

Praticamente toda família perdeu pelo menos um membro, criando um poço fundo de raiva que dificultará ainda mais a reconciliação das comunidades em guerra da Síria quando o conflito chegar ao fim.

Mas a família de Omar foi atingida de forma particularmente dura, o que lhe rendeu o título de "pai dos mártires".

O primogênito de Omar, Ahmed, de 45 anos, foi morto por uma bala de um franco-atirador durante um protesto no início deste ano. Dois meses depois, seu segundo filho, Omar, de 25, foi morto a tiros pelas forças de segurança.

"Eles quebraram a sua mandíbula, seu olho foi ejetado, eles o mataram e o deixaram no portão do cemitério", disse Omar, vestido com um suéter bege e um solidéu branco e cinza.   Continuação...