27 de Dezembro de 2012 / às 11:35 / em 5 anos

Taliban do Paquistão apresenta condições para cessar-fogo

Por Katharine Houreld e Mehreen Zahra-Malik

ISLAMABAD, 27 Dez (Reuters) - O Taliban paquistanês esboçou as condições para um cessar-fogo, incluindo a adoção da lei islâmica no país e a ruptura com os Estados Unidos, disse um porta-voz do grupo nesta quinta-feira, uma oferta que um alto funcionário do governo descreveu como “absurda”.

Em uma carta enviada ao diário The News, do Paquistão, o Taliban também exigiu que o país encerre seu envolvimento na guerra que opõe os insurgentes afegãos ao governo do Afeganistão e se concentre numa guerra de “vingança” contra a Índia.

A carta do porta-voz do Taliban, Amir Muawiya, surge num momento que a Otan muda o foco no Afeganistão, da ênfase militar para uma potencial negociação de paz, e também em meio a especulações de uma cisão entre os principais líderes do Taliban paquistanês.

Oficiais militares disseram à Reuters no mês passado que o líder do Taliban paquistanês, Hakimullah Mehsud, havia perdido o comando operacional para seu vice, Wali ur-Rehman, que é considerado mais aberto à reconciliação com o governo paquistanês. O Taliban nega que Mehsud tenha deixado o comando.

O Taliban paquistanês é um movimento separado do Taliban. Conhecido pelo nome Tehreek-e-Taliban (TTP), o grupo lançou ataques devastadores contra militares e civis no Paquistão.

“Eles são um bando de criminosos. Este não é o Taliban afegão. Eles não estão abertos a negociações”, disse um alto funcionário do governo, que qualificou a oferta do Taliban paquistanês de “ilógica”.

“Ninguém pode levar essa oferta ou seus termos a sério. O TTP não é uma entidade adequada, certamente não uma entidade com a qual algum governo possa negociar.”

As condições do cessar-fogo, confirmadas pelo porta-voz Ihsanullah Ihsan em um telefonema à Reuters, especificam que o Paquistão tem de reescrever suas leis e Constituição nos moldes da lei islâmica.

“Estamos prontos para um cessar-fogo com o Paquistão desde que atenda às nossas exigências, que um sistema islâmico sejaposto em prática. Eles devem corrigir sua política externa e parar de concordar com as exigências americanas”, disse Ihsan.

Os militantes acusam o Exército do Paquistão de atuar como “mercenários para a América” e prometem continuar os ataques aos dois principais partidos políticos do Paquistão, que eles acusam de servir os interesses dos EUA.

Reportagem de Katharine Houreld

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