Lobby de armas dos EUA quer combater tratado de comércio de armamento da ONU
Por Louis Charbonneau
NAÇÕES UNIDAS, 28 Dez (Reuters) - O principal grupo pró-armas dos Estados Unidos, a Associação Nacional do Rifle, prometeu lutar contra o projeto de um tratado internacional para regular o comércio mundial de armamentos, de 70 bilhões de dólares, e rejeitou sugestões de que um massacre recente numa escola norte-americana reforçou a necessidade de tal pacto.
A Assembleia-Geral da ONU votou na segunda-feira para retomar as negociações em meados de março sobre o primeiro tratado internacional para regular o comércio de armas convencionais, após uma conferência sobre o tema em julho ter fracassado porque os EUA e outras nações queriam mais tempo. Os EUA apoiaram a votação de segunda-feira da ONU.
O presidente dos EUA, Barack Obama, está sob intensa pressão para endurecer as leis de controle de armas no país após a morte de 20 crianças e seis educadores em uma escola de Newtown, Connecticut, no dia 14 de dezembro.
Sua administração, desde então, reiterou seu apoio a um tratado global de armas que não restringe os direitos dos cidadãos norte-americanos a possuir armas.
Defensores do controle de armas dizem que uma pessoa morre a cada minuto como resultado da violência armada, e que uma convenção é necessária para evitar que armas negociadas ilicitamente apareçam em zonas de conflito e alimentem guerras e atrocidades.
Em entrevista à Reuters, o presidente da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), David Keene, disse que o massacre em Newtown não mudou a posição do poderoso lobby de armas dos EUA sobre o tratado. Ele também deixou claro que o governo Obama terá uma luta pela frente se levar o tratado ao Senado dos EUA para ratificação.
"Somos tão contrários a isso hoje quanto éramos quando apareceu pela primeira vez", disse ele, na quinta-feira. "Nós não vemos nada em termos de língua e no preâmbulo como sendo qualquer tipo de garantia dos direitos do povo americano sob a Segunda Emenda."
A Segunda Emenda da Constituição dos EUA protege o direito de portar armas. Keene afirmou que o pacto poderia exigir que o governo dos EUA aprovasse uma legislação para implantá-lo, o que o NRA teme que pudesse levar a restrições mais rígidas sobre a posse de armas. Continuação...

