December 29, 2012 / 6:08 PM / 5 years ago

Síria está condenada ao inferno sem acordo político--oficial da ONU

4 Min, DE LEITURA

Por Alissa de Carbonnel e Peter Graff

MOSCOU/BEIRUTE, 29 de dezembro (Reuters) - O mediador internacional que está tentando um plano de paz para a Síria alertou neste sábado sobre o "inferno" em que o país se transformará caso os dois lados em guerra evitem as conversações, e Moscou culpou os inimigos do presidente Bashar al-Assad de se recusarem a negociar.

O enviado da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, disse em Moscou que as pessoas responsáveis dentro e fora da Síria deveriam "ajudar os sírios a impedir que ocorra cada vez mais derramamento de sangue e que o país mergulhe cada vez mais no caos e talvez se transforme em um país enfraquecido."

Esforços para encontrar uma solução negociada para a guerra que já dura 21 meses, e que já matou cerca de 44 mil pessoas, têm encontrado dificuldades A oposição, impulsionada por avanços militares dos rebeldes, exige que Assad deixe o poder antes de avançar com as conversações.

Em um sinal de que a guerra pode não ser vencida rapidamente, as forças do governo - em retirada em boa parte dos últimos meses - conseguiram uma vitória na cidade estrategicamente importante e central de Homs, expulsando os rebeldes de um distrito, depois de dias de combates.

Mas no Norte, a companhia aérea nacional de Síria teve que cancelar um voo do Cairo para Aleppo, de acordo com funcionários da Egyptian Airlines, devido à falta de segurança em um aeroporto que os rebeldes declararam ser um alvo e onde explosões podiam ser ouvidas durante a noite.

Brahimi passou cinco dias em Damasco essa semana como parte de um grande esforço para promover um plano de paz que está pronto há meses e que exige a formação de um governo de transição, sem especificar o papel de Assad.

Países ocidentais e alguns países árabes que apoiam a revolta contra Assad têm esperança que a Rússia, seu principal protetor internacional e fornecedor de armas, retire o seu apoio.

Eles têm procurando sinais de que Moscou, um aliado da Síria desde que o pai de Assad assumiu o poder a 42 anos, esteja mudando sua posição - até agora isso tem sido basicamente em vão.

Depois de se reunir com Brahimi, o ministro do exterior russo, Sergei Lavrov, reafirmou com veemência a posição de Moscou de que a remoção de Assad não pode ser um pré-requisito para as negociações, chamando a recusa da oposição síria para conversar em Damasco de "um beco sem saída".

Os EUA e seu aliados esperam que uma mudança de posição de Moscou possa conduzir Assad a ceder o poder, assim como a retirada do apoio da Rússia ao líder sérvio Slobodan Milosevic levou à sua queda há uma década.

Lavrov observou que Assad tem constantemente repetido que não vai sair, acrescentando que a Rússia "não tem a capacidade de mudar isso".

O plano de paz de Brahimi está paralisado devido à exigência da oposição para que Assad seja excluído de qualquer governo de transição, um pré-requisito também apoiado pelos EUA, países europeus e pela maioria dos países árabes.

O presidente do Egito, Mohamed Mursi, reiterando o apoio público para a rebelião do mais populoso país árabe, disse que não "há lugar para o regime atual no futuro da Síria".

A maioria dos países árabes é governada pelos muçulmanos sunitas, que constituem a maioria na Síria e formam a base da revolta contra Assad, um membro da seita xiita ligada à seita minoritária alauíta.

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