Culpados por morte de cantor Víctor Jara na ditadura chilena são detidos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013 19:54 BRST
 

SANTIAGO, 2 Jan (Reuters) - A justiça chilena deteve nesta quarta-feira um dos dois acusados de ser autor material do homicídio do renomado cantor chileno Víctor Jara, e outros três acusados como cúmplices do evento ocorrido há quatro décadas durante a ditadura de Augusto Pinochet se entregaram.

Depois de um longo julgamento, as investigações forenses determinaram que os então tenentes Hugo Sánchez Marmonti e Pedro Barrientos Núñez foram os autores das 44 balas que o trovador chileno recebeu. Jara era simpatizante do governo de Salvador Allende.

Sánchez se entregou para a polícia, enquanto que para Barrientos será pedida a extradição, já que ele vive nos Estados Unidos, informou o juiz do caso, Miguel Vásquez.

Jara, autor das famosas canções "Te Recuerdo Amanda" e "El Derecho a Vivir en Paz", foi detido junto com professores e alunos da Universidade Técnica do Estado depois do golpe de Estado de 1973. Depois foi levado ao Estádio Chile, onde permaneceu detido por vários dias.

Segundo testemunhas de presos no estádio, Jara foi torturado e quebraram suas mãos com a coronha de uma arma para finalmente matá-lo a tiros em 16 de setembro de 1973. Seu corpo foi encontrado três dias depois, perto de um cemitério.

Também se entregaram na quarta-feira os militares Edwin Dimpter, Nelson Hasse Mazzei e Jorge Smith Gumucio, três dos seis identificados como cúmplices no assassinato do cantor.

Apesar da prisão dos culpados, fontes judiciais explicaram que todos têm a possibilidade de solicitar liberdade sob fiança. Por enquanto, continuam detidos em um quartel.

Durante o regime de Pinochet morreram ou desapareceram cerca de 3.000 pessoas. Foram torturadas cerca de 28.000, incluindo a ex-presidente Michelle Bachelet.