Zimbábue diz que não vai mais confiscar terras de estrangeiros

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013 12:47 BRST
 

HARARE, 4 Jan (Reuters) - O governo do Zimbábue afirmou nesta sexta-feira que não vai confiscar mais nenhuma fazenda de propriedade estrangeira, após perder reivindicações de compensações de milhões de dólares dentro de um tratado que visa proteger investimentos estrangeiros.

O presidente Robert Mugabe começou a dar fazendas de proprietários brancos para os negros sem terra há mais de uma década, uma política que teve o resultado não intencional de devastar a produção de alimentos em um país que era um celeiro regional.

Cerca de 4 mil agricultores foram expulsos de suas terras sem indenização e, enquanto os esforços para obter reparação legal no Zimbábue falharam, alguns processos por compensação tiveram sucesso nos tribunais internacionais.

O ministro de Terras, Herbert Murerwa, disse que ações judiciais movidas por investidores estrangeiros no Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos, em Washington, provocaram uma mudança nessa política.

Um grupo de 40 agricultores holandeses venceu uma reivindicação de 25 milhões de euros (32,74 milhões de dólares) contra o Zimbábue em 2009, já que suas fazendas eram cobertas pelo Acordo de Proteção e Promoção do Investimento Bilateral (BIPPA).

"Nós adquirimos muitas fazendas do BIPPA, mas não vamos tomar mais nenhuma fazenda no futuro", disse Murerwa à Reuters.

Um documento apresentado pelo partido ZANU-PF, de Mugabe, em sua conferência anual em dezembro, mostrou que de um total de 153 fazendas protegidas pelos tratados, 116 já haviam sido confiscadas pelo governo.

O governo já havia prometido não tomar mais fazendas protegidas pelo BIPPA mas continuou a expulsar os agricultores citando a constituição do Zimbábue, que permite às autoridades tomarem qualquer terreno adequado para a agricultura.

O grupo Justiça para a Agricultura (JAG), que representa os agricultores expulsos, demonstrou ceticismo sobre a mudança na política do governo.   Continuação...