Enviado da ONU acha que regime de 40 anos de família Assad é "longo demais"
Por Erika Solomon e Peter Graff
BEIRUTE, 9 Jan (Reuters) - Os sírios consideram que os 40 anos de domínio da família Assad sobre o país é um tempo longo demais, disse o mediador internacional para a Síria, numa declaração que soa como um pedido direto para que o presidente Bashar al-Assad se afaste.
Os comentários do enviado da Organização das Nações Unidas (ONU), Lakhdar Brahimi, geram dúvidas sobre o futuro do seu plano de paz, única iniciativa diplomática importante em curso para tentar acabar com uma guerra civil que, segundo a ONU, já matou 60 mil pessoas.
Sua posição mais dura parece ser uma reação a um discurso feito no domingo por Assad, que deveria ser uma nova proposta de paz, mas na qual o presidente ofereceu poucas concessões e prometeu jamais negociar com inimigos que ele qualifica como terroristas e fantoches do Ocidente.
"Na Síria em particular, acho que o que as pessoas estão dizendo é que uma família governando por 40 anos é um tempo um pouco longo demais", disse o argelino em entrevista transmitida nesta quarta-feira pela BBC.
"Então a mudança precisa ser real. Tem de ser real, e acho que o presidente Assad poderia assumir a liderança em responder à aspiração da sua gente, ao invés de resistir a ela."
As declarações de Brahimi foram bem recebidas pela oposição, que nos últimos meses manifestava irritação com a recusa do enviado da ONU em adotar uma posição mais firme, excluindo qualquer papel para Assad no futuro do país.
"A declaração de Lakhdar Brahimi foi muito esperada", disse à Reuters o ativista Walid Saffour, representante da Coalizão Nacional de oposição na Grã-Bretanha.
"Ele não criticou Bashar al-Assad antes, mas agora, depois de se desesperançar de Assad após seu discurso no domingo, ele não teve outra alternativa senão dizer ao mundo que seu regime é um regime familiar, e que mais de 40 anos já são o suficiente." Continuação...

