Síria denuncia enviado de paz que sugeriu saída de Assad

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 16:38 BRST
 

Por Alexander Dziadosz

BEIRUTE, 10 Jan (Reuters) - A Síria denunciou o enviado internacional, Lakhdar Brahimi, como "flagrantemente tendencioso" nesta quinta-feira, lançando dúvida sobre por quanto tempo o mediador da ONU e da Liga Árabe poderá manter sua missão de paz.

O Ministério das Relações Exteriores sírio respondia a declarações feitas por Brahimi um dia antes, nas quais ele descartava um papel para o presidente Bashar al-Assad em um governo transitório e pedia para que o líder do partido Baath renunciasse.

"Na Síria... o que as pessoas estão dizendo é que uma família governando por 40 anos é um pouco demais", disse Brahimi à BBC, referindo-se a Assad, que herdou seu cargo do pai, Hafez al-Assad, que por sua vez tomou o poder em 1970 e governou por 30 anos.

"O presidente Assad poderia assumir a liderança na resposta à aspiração de seu povo em vez de resistir a ela", disse o veterano diplomata argelino, indicando que o líder sírio deveria sair.

O Ministério das Relações Exteriores em Damasco disse que ficou muito surpreso com as declarações de Brahimi, que mostraram que "ele tende flagrantemente para os que conspiram contra a Síria e o seu povo".

Brahimi não teve mais sucesso do que seu antecessor, Kofi Annan, em sua busca por uma solução política para o conflito de 21 meses, em que mais de 60.000 pessoas morreram.

Até agora, rivalidades regionais e divisões entre as grandes potências frustraram qualquer abordagem coordenada ao levante, um dos mais sangrentos a surgir da série de revoltas no mundo árabe.

Diplomatas russos e norte-americanos, que apoiam lados opostos da guerra, vão se reunir com Brahimi em Genebra na sexta-feira.   Continuação...

 
O enviado internacional à Síria, Lakhdar Brahimi, comparece a uma reunião na sede da Liga Árabe no Cairo, Egito. A Síria denunciou Brahimi como "flagrantemente tendencioso" nesta quinta-feira, lançando dúvida sobre por quanto tempo o mediador da ONU e da Liga Árabe poderá manter sua missão de paz. 30/12/2012 REUTERS/Amr Abdallah Dalsh