Apresentador britânico Savile abusou de centenas por seis décadas, diz polícia

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 11:30 BRST
 

LONDRES, 11 Jan (Reuters) - O apresentador britânico de TV Jimmy Savile, que morreu em 2011, abusou fisicamente de centenas de pessoas ao longo de seis décadas, de acordo com um relatório divulgado pela polícia nesta sexta-feira.

O relatório afirma que Savile realizava as agressões no prédio da BBC e em hospitais onde fazia trabalho voluntário. Entre suas vítimas, 73 por cento tinham menos de 18 anos e 82 por cento eram mulheres. A mais velha tinha 47 anos e a mais nova, apenas 8.

"As marcas das agressões de Savile eram vastas, predatórias e oportunistas", disse o comandante Peter Spindler a repórteres.

Savile, uma das maiores estrelas da BBC dos anos 1970 e 1980, recebeu o título de cavaleiro da rainha Elizabeth por seu trabalho de caridade.

Detetives iniciaram uma investigação três meses atrás após acusações sobre o comportamento abusivo de Savile feitas em um documentário de TV.

O relatório desta sexta-feira diz que ele cometeu 214 transgressões criminais, incluindo 34 estupros ou agressões com penetração, por todo o país.

Sua primeira ocorrência foi em 1955, em Manchester, no norte da Inglaterra, e o último foi em 2009, segundo o relatório.

"Agora está claro que Savile estava se escondendo em plena vista e usando de sua projeção de celebridade e atividades beneficentes para ganhar acesso ilimitado a pessoas vulneráveis ao longo de seis décadas", disse o documento da investigação.

As revelações sobre Savile lançaram a BBC em semanas de turbulência e levaram à renúncia do diretor-geral da emissora pública depois de apenas 54 dias no cargo.

(Reportagem de Michael Holden)

 
Apresentador britânico de TV Jimmy Savile em evento de abertura de um monumento em homenagem a pilotos, em foto de arquivo de setembro de 2005. Savile, que morreu em 2011, abusou fisicamente de centenas de pessoas ao longo de seis décadas, de acordo com um relatório divulgado pela polícia. 18/09/2005 REUTERS/Paul Hackett/Arquivo