Governo e rebeldes assinam acordo na República Centro-Africana

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 17:42 BRST
 

LIBREVILLE, Gabão, 11 Jan (Reuters) - O governo e os rebeldes da República Centro-Africana assinaram nesta sexta-feira um acordo que prevê a instauração de um governo de unidade nacional e um cessar-fogo, encerrando uma insurgência que havia chegado muito perto da capital.

O acordo, assinado na capital do Gabão após três dias de negociações mediadas por países da região, atenua a maior ameaça já sofrida pelo presidente François Bozize em uma década dele no poder na República Centro-Africana, uma ex-colônia francesa rica em minérios.

"Esse é um bom acordo para trazer a paz", disse o porta-voz rebelde Eric Massi por telefone à Reuters. "Mas o cessar-fogo depende de que várias das nossas exigências sejam atendidas e vamos julgar a sinceridade do senhor Bozize nos próximos dias."

Massi disse que entre os pedidos impostas pela coalizão rebelde Seleka está a exigência de libertação dos presos políticos e a retirada da maior parte do contingente militar estrangeiro instalado no país para auxiliar as forças locais.

O acordo também prevê que o novo governo transitório terá um primeiro-ministro oriundo da oposição e que uma eleição parlamentar será realizada dentro de 12 meses.

O Seleka iniciou sua insurgência no começo de dezembro, acusando Bozize de renegar um acordo de paz de 2007 que deveria garantir empregos e renda a insurgentes que depusessem suas armas.

Os rebeldes haviam anteriormente insistido na renúncia de Bozize como pré-condição para um acordo, e que o presidente, que chegou ao poder em 2003 graças a um golpe patrocinado pelo vizinho Chade, fosse julgado pelo Tribunal Penal Internacional.

O presidente do Chade, Idriss Deby, que participou da cerimônia de assinatura, disse que o acordo permitirá que Bozize complete seu mandato, que termina em 2016.

"Não afetamos a integridade da Constituição da República Centro-Africana. O presidente Bozize foi eleito para um mandato de cinco anos e deve cumpri-lo até que se encerre", disse Deby a jornalistas.   Continuação...