Irã tenta desestabilizar sul do Iêmen, diz relatório dos EUA--agência

domingo, 13 de janeiro de 2013 18:17 BRST
 

SANAA, 13 Jan (Reuters) - O Irã está dando apoio aos separatistas do sul do Iêmen para expandir sua influência e desestabilizar a região estratégica em torno do Estreito de Ormuz, disse o embaixador dos EUA para o Iêmen, segundo relatório divulgado neste domingo pela imprensa local.

De acordo com a agência estatal iemenita de notícias, a Saba, o embaixador dos EUA, Gerald Feierstein, acusa o Irã de apoiar líderes do sul do Iêmen que tentam reavivar um Estado independente que existiu na região. A Saba disse ainda que o embaixador apontou como um dos líderes Ali Salem al-Beidh, que dirige uma estação de TV pró-independência, a qual transmite por satélite a partir do Líbano.

"Há evidências que comprovam o apoio do Irã a alguns elementos extremistas do movimento do sul (al-Hirak)", disse Feierstein, segundo a Saba, em notícia divulgada em árabe.

"Ali Salem al-Beidh reside em Beirute e recebe apoio financeiro do governo iraniano. Nós não temos nenhuma dúvida de que ele é o responsável pelos esforços de anular a iniciativa do Golfo (grupo de países que buscam a transição democrática no Iêmen) e de apoiar as reivindicações de secessão."

O governo do Iêmen enfrenta militantes da Al Qaeda e rebeldes xiitas no norte do país, e grupos separatistas no sul. A restauração da estabilidade do Iêmen se tornou uma prioridade pelo fato de o país contornar o território da Arábia Saudita - reino sunita, principal produtor mundial de petróleo e rival regional do Irã, que é xiita -- e por estar situado em uma importante rota marítima.

Países vizinhos do Iémen no Golfo Pérsico, liderados pela Arábia Saudita, patrocinaram um acordo pelo qual o ditador Ali Abdullah Saleh renunciou ao poder em fevereiro de 2012, depois de um ano de protestos contra seu regime, e em seu lugar foi empossado seu vice, Abd-Rabbu Mansour Hadi.

O acordo de transferência de poder determina que Hadi supervisione reformas no país durante o período de dois anos em que ele permanecerá no cargo como interino, para assegurar uma transição para a democracia. Entre as reformas estão previstas uma nova Constituição e a reestruturação das Forças Armadas para romper o controle da família de Saleh sobre o país.

O processo deverá conduzir a eleições presidenciais e legislativas em 2014.

(Reportagem de Mohammed Ghobari)