Iraque liberta presos em gesto para terminar com protestos sunitas

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 15:36 BRST
 

BAGDÁ, 14 Jan (Reuters) - O governo iraquiano libertou nesta segunda-feira mais de 300 prisioneiros detidos sob leis antiterrorismo como um gesto de boa vontade para os manifestantes muçulmanos sunitas que realizam protestos contra o primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki.

Três semanas de manifestações, a maior parte na província de Anbar, dominada pelos sunitas, se transformaram num desafio duro para o primeiro-ministro xiita, aumentando os temores de que o Iraque possa mergulhar de novo no confronto sectário de seu passado recente.

Como condição, líderes sunitas exigiram a libertação dos detidos sob a lei antiterrorismo, que muitos acreditam que seja usada de forma injusta pelas autoridades para alvejar sua seita minoritária.

Uma comissão que revisava os casos libertou 335 detidos, cujas sentenças já tinham sido cumpridas ou cujos casos foram rejeitados por falta de provas.

"Em nome do Estado iraquiano, peço desculpas aos que foram detidos e aprisionados e depois foi provado que eram inocentes", disse o vice-primeiro-ministro, Hussein al-Shahristani, uma figura sênior xiita que lidera a comissão.

Milhares de manifestantes ainda estão acampados em Anbar, que já abrigou a campanha da Al Qaeda contra as tropas norte-americanas no Iraque, onde bloquearam uma importante via para a Jordânia e a Síria, perto da cidade sunita de Ramadi.

A libertação dos detidos era apenas uma condição para os manifestantes. Outras exigências variavam de pedidos mais radicais como a renúncia de Maliki, o fim da campanha de busca a ex-membros do partido banido de Saddam Hussein, o Baath, e uma lei de anistia.

(Reportagem de Suadad al-Salhy)