França mantém decisão de legalizar casamento gay apesar de protestos

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 18:01 BRST
 

Por Tom Heneghan

PARIS, 14 Jan (Reuters) - A enorme manifestação do fim de semana contra a legalização do casamento e das adoções por pessoas do mesmo sexo não abalou a determinação do governo francês de aprovar em breve essas medidas, disseram ministros nesta segunda-feira.

Num dos maiores protestos das últimas décadas no país, quase meio milhão de pessoas fizeram uma passeata em Paris no domingo exigindo que o presidente François Hollande retire o projeto de lei e promova um debate nacional sobre qualquer mudança na definição de casamento.

Muitos manifestantes disseram a jornalistas que decidiram sair às ruas em um dia tão frio porque não se conformam com o fato de o governo não realizar um debate amplo antes de promover reforma, especialmente a respeito dos direitos de adoção para os homossexuais, rejeitados por uma estreita maioria da opinião pública.

A porta-voz governamental Najat Vallaud-Belkacem, que também é ministra para assuntos femininos, disse à rádio Europe 1 que nada mudou e que a intenção do governo continua sendo a de submeter o projeto ao Parlamento neste mês e sancioná-lo até junho.

"O governo está totalmente determinado a promover essa reforma, esse progresso histórico que não é a vitória de um campo sobre outro, e sim um progresso para toda a sociedade", afirmou ela. "Levamos a manifestação em conta, mas isso será discutido pelo Parlamento, e não na rua."

O ministro do Interior, Manuel Valls, disse ao jornal Le Monde que "sempre pensamos que o comparecimento seria forte, e foi ... o que é mais uma razão para estarmos focados no objetivo de aprovar a lei."

Jerome Fourquet, especialista em pesquisas do instituto Ipsos, disse que, embora a manifestação tenha sido um sucesso para a oposição, Hollande não poderá se dar ao luxo de recuar, especialmente depois de se mostrar inesperadamente resoluto, no mesmo fim de semana em que ordenou que as Forças Armadas francesas combatessem militantes islâmicos no Mali.

"Por outro lado, (o protesto) pode sinalizar novos problemas para o governo com a futura lei que lidar com a reprodução assistida", afirmou ele.   Continuação...