Premiê do Japão recorre ao Sudeste Asiático para contrapor China

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 08:52 BRST
 

Por Linda Sieg e Jonathan Thatcher

TÓQUIO/JACARTA, 16 Jan (Reuters) - Na última vez em que foi primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe escolheu a China como destino da sua viagem inaugural. De volta ao cargo sete anos depois, num momento de relações frias com Pequim, Abe agora se volta inicialmente para as emergentes estrelas econômicas do Sudeste Asiático.

Abe espera ter a ajuda desses países para contrabalançar o crescente poderio econômico e militar da China, num momento em que o Japão precisa de novas fontes de crescimento para a sua combalida economia, e estuda se deve tornar suas Forças Armadas mais poderosas.

Mas especialistas alertam que Abe precisará tomar cuidado durante sua visita desta semana à Indonésia, Tailândia e Vietnã, para evitar irritar Pequim ao dar a impressão de que está tentando "conter" a China.

A China também está buscando novas oportunidades comerciais e de investimento, além de novas fontes de matérias-primas. Por outro lado, Pequim tem conflitos com países da região por causa de disputas territoriais no mar do Sul da China, e também com o Japão em torno de ilhotas no mar do Leste da China.

Além disso, os anfitriões de Abe provavelmente não vão querer incomodar a China, importante parceiro econômico na atualidade.

"O governo japonês está tentando solidificar suas relações com outros países na região e fortalecer seu poder de barganha antes de conversar com a China", disse Narushige Michishita, professor-associado do Instituto Nacional de Pós-Graduação do Japão.

Abe esperava ter Washington como primeiro destino depois da sua grande vitória eleitoral do mês passado, para reforçar a importante aliança de segurança do Japão com os EUA. Mas, por causa da sobrecarregada agenda do presidente norte-americano, Barack Obama, ele vai começar com uma reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que reúne dez países.

As empresas japonesas já estão de olho no Sudeste Asiático como uma alternativa aos investimentos na China, depois de atritos no último ano por causa das ilhas disputadas, o que resultou em protestos da população chinesa.   Continuação...