Mais de metade dos refugiados sírios são crianças, diz ONU

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 20:54 BRST
 

NOVA YORK, 17 Jan (Reuters) - Mais de metade dos 642 mil refugiados sírios que buscaram abrigo em países vizinhos fugindo do conflito na Síria são crianças e o número de pessoas em fuga pode mais do que dobrar até junho, disse um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira.

O coordenador regional do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) encarregado da situação na Síria, Panos Moumtzis, disse que há planos em vigor para ajudar 4 milhões de pessoas na Síria, sendo 2 milhões de refugiados internos e 2 milhões que precisam de assistência em suas casas, e até 1,1 milhão de refugiados.

"Estamos realmente falando em ajudar um quarto da população síria. Um em cada quatro sírios precisa de assistência humanitária e receio que esse número esteja piorando", disse Moumtzis ao Instituto Internacional da Paz, em Nova York.

A ONU espera arrecadar 1,5 bilhão de dólares para a Síria em uma conferência de doadores marcada para o dia 30 no Kuweit. Moumtzis disse que 55 organizações, incluindo 12 agências da ONU, estão atualmente reagindo à crise humanitária causada pela guerra civil no país.

Turquia, Líbano, Jordânia, Iraque e Egito já receberam dezenas de milhares de refugiados. Moumtzis disse que 30 por cento deles estão abrigados em acampamentos, e os outros vivem fora desses locais, em cidades e aldeias.

"Os refugiados saem aos montes pelas fronteiras por todo o dia e noite", disse ele. "Mais da metade deles são crianças. Esta é uma crise de crianças refugiadas. É de partir o coração quando vemos essas crianças chegando e, particularmente, o que vemos nos dias que se seguem."

"Estas crianças têm experimentado e testemunhado algumas das cenas mais terríveis, vendo seus pais ou entes queridos mortos, suas casas destruídas", afirmou.

(Reportagem de Michelle Nichols)

 
Crianças sírias refugiadas são vistas no campo de Al-Zaatari, em Mafraq, na Jordânia, perto da fronteira com a Síria, no início de janeiro. 06/01/2013 REUTERS/Majed Jaber